<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490</id><updated>2011-09-28T20:28:08.880-03:00</updated><title type='text'>CONTRA O BRASIL: Textos de Alberto Lins Caldas</title><subtitle type='html'>Artigos, Ensaios, Notas, Reflexões sobre o brasil.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>26</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-8201808200789281925</id><published>2010-12-24T21:04:00.005-03:00</published><updated>2010-12-24T21:17:57.514-03:00</updated><title type='text'>HISTÓRIA E LITERATURA: IMPASSE BRASILEIRO</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;“A reverência diante da autoridade é inata em vocês, continuará a ser  incutida durante a vida toda das formas mais variadas e por todos os  lados; até vocês ajudam nisso como podem. (...) é um respeito que vai  pela via torta (...) Respeito no lugar errado, que rebaixa seu objeto.”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;O Castelo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Franz Kafka&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;História&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A História é um discurso  religioso por excelência, básico discurso do capital em seu formato  capitalista, disciplinamento das atividades e relações apresentadas  enquanto ritmo, tempo, ex-pressão viva do disciplinamento ritualizado  das produções. Sendo assim a História é resultante e produtora dos  poderes hierárquicos, funcionalizadores dos ritmos corporais: um tipo de  corpo cria a História (o corpo-servo-das-cortes, o  corpo-servo-dos-mercadores, o corpo-servo-dos-letrados, o  corpo-servo-dos-funcionários-do-estado) e a História cria um tipo de  corpo (o corpo-cidadão, o corpo-trabalhador, o corpo-dócil, o  corpo-consumista, o corpo-despolitizado).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A função básica da História é  produzir cortinas de fumaça, ofuscamentos, sobre a máquina tribal (isso  que chamamos “ocidentalidade”, “cristandade”, os “rebanhos do senhor”,  enfim, a “nossa tribo” que a tudo incorporou chamando de seu),  escondendo que aquilo que seria tempo não é uma “dimensão do passado”,  que nada “está” no passado, nada “aconteceu”, que as explorações, que o  horror, não está no passado, essa ficção despolitizada, essa zona morta  de todas as metafísicas, mas que o horror está, sempre, no imediato: que  toda politicidade é dimensão imediata de atividades, não rememorar  reacionário, reativo, passivo: nada mais doente, adoecedor, ressentido  que a memória. E ressentido precisamente porque somos nós, os  historiadores, os professores de história, que produzimos “passados” e  “memórias” enquanto “coisas”, enquanto “acontecimentos”, “existências”,  “materialidades”, todos nós inocentemente esquecidos dos nossos papéis  de manufatureiros dos ocultamentos das politicidades. Nós e todos as  formas de sacerdotes, como os marxistas, os anarquistas, os cristãos, os  políticos, os nazistas em geral. Todos trabalhando para um “Estado”, um  “estado de coisas”, como se nossa função fosse “dizer a verdade”,  “expor o que realmente aconteceu” e não esconder de nós mesmos e de  todos - os sentidos das nossas operações de ofuscamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A função-missão da História é  despolitizar o imediato (único lócus da politicidade), esvaziá-lo de  intensidades, de potência, de forças, de relações perigosas, tornando  ele apenas o lugar dos fluxos fixos de informação, o lugar das mídias,  das atividades pedagógicas do que aconteceu e jamais acontecerá  novamente (então para que?), a resultante esvaziada dum longo chegar que  não chega, campos mornos de trabalho, entorpecimento dos dias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As pretensas imensas e extensas  redes temporais que seriam o passado, estendidas todas antes do  imediato, se abrem cada vez mais e mais “longe”, cada vez mais apenas  “interpretações de um modelo ideal”, existente apenas no céu dos  historiadores e na imobilidade anestesiada das mandas integradas e  mansas, afastando a politicidade das suas ações, o corpo das suas  atividades, das suas possibilidades de consciência e tomada das suas  melhores forças: a História é essa estratégia de nunca chegar ao agora.  No agora, ela gagueja, titubeia, balbucia, se remete à mídia, a opinião,  ao senso comum, ao conhecimento dito científico, e morre antes de  chegar ao agora e jamais consegue ligação alguma entre o “antes”  imaginário, construído inteiramente por nós, com o imediato vivo que  exige ação e é ação, atividades que criam e reproduzem o existente a  cada segundo: precisamos dar conta dos ritmos desses imediatos  produzidos por nós, isso a história não pode fazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Para a História a única  realidade são as cinzas e os historiadores, e todos os produtores e  reprodutores das funções estatais do conhecimento, do saber, da beleza,  não passam de cães de guarda da máquina tribal, ou do Estado, das  igrejas, das pedagogias ortopédicas e das propriedades. Fora desse  protecionismo, nem a História nem nenhuma Ciência, consegue justificar  sua existência, ideologia das produções, das despolitizações, dos  disciplinamentos. Há muito tempo não conseguimos viver fora disso que  chamam História: já somos obedientes demais para ousar viver fora do  tempo, viver contra o tempo, nos contrapelos da ação dos imediatos como  se o tempo existisse fora das nossas mais vivas e cruas atividades,  relações, triangulações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;História do Brasil&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De pelo menos Von Martius e  Francisco Adolfo de Varnhagen (o visconde de Porto Seguro), com sua  “História Geral do Brasil”, onde se revela nitidamente uma narrativa que  estabelece a identidade do “povo brasileiro” e do brasil-estado, &amp;nbsp;assim  como a Literatura brasileira, nascem como projetos imperiais em pleno  século dezenove, vindo de forças estatais, latifundiárias e mercantis,  loucas por “identidade”, “limites”, “origens”, “dignidades”,  “enobrecimentos”, “apoio”, “ordem”, “leis”, crenças de união para as  manadas se tornarem uma só, o “povo brasileiro”, “o brasil”, o “estado  nacional”, torcendo todas as multiplicidades num “fluxo temporal único”,  com uma origem, com razões, sentidos e produzido eternamente para  chegar ao sempre atual - “brasil grande”, essa coisa patética que sempre  aparece seja em campeonatos mundiais de futebol, seja em momentos de  troca de emprego de políticos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Projetos imperiais e  republicanos, projetos do capital e dos imperialismos, íntimos projetos  coloniais, projetos que a obra de mentecaptos sabidos como José de  Alencar, senhor de escravos e terras, senador do império, sintetiza bem  ao fazer parte das construções identitárias tanto da escrita da História  quanto da escrita literária: ela cria e recria e põe forças na nação,  nos limites da-nação, nos costumes da-nação, na Língua de oligarcas e de  padres da-nação, construindo suas mais “profundas” identidades, aquilo  que faria a união dos brasileiros (um povo, uma lingua, uma terra, um  poder que possui a capacidade de torcer as multiplicidades e as  diferenças numa unidade dócil), o que criaria isso que é o próprio  brasileiro, uma mistura bem dosada de escravo imbecilizado, classes  médias estúpidas, agregados sabichões de fazendas, engenhos e “casas de  família”, funcionários públicos subservientes, miseráveis de todos os  tipos, migrantes estarrecidos, famélicos e desprotegidos, enfim, um tipo  balzaquiano dos mais desprezíveis e impotentes a tudo que seja grande e  absolutamente capaz de toda docilidade funcional, aquele que se  horroriza com qualquer idéia que não seja a da sua normalidade e da “paz  de espírito”, tudo que foge ao calorzinho dos rebanhos, aquele que foge  horrorizado de todas as formas de singularidade e quando podem  assassinam, delatam, se calam diante do horror.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O brasil é uma criação violenta  não apenas de “forças produtivas”, de “modos de produção”, de colônias e  repúblicas, de governos, de militares imbecis e advogados sempre  ignorantes e sabichões, mas tudo isso é assado, cozido, frito no fogo  brando e perverso dos saberes, da “Literatura brasileira” e da “História  do Brasil”, seus principais cozinheiros. Enquanto uns preparam,  protegem, estabelecem a Língua, os outros inventam e guardam uma  História por eles mesmos escrita e mantida a fogo e ferro em escolas,  mídias, cotidianos coisificados, e sem saída, porque as possíveis  “vitimas” desejam tudo, menos deixarem de ser “brasileiros”, de perderem  o “brasil”, a jaula e a classificação de zoológico inventada para eles e  por eles mesmos. Pois não se enganem: as pretensas “vitimas” são  exatamente as que mais desejam a servidão, a famosa “servidão  voluntária”. A libertação de tal situação em redes, a fuga desse horror é  impossível exatamente porque os “dominados” sempre foram os  “dominantes”: são eles que criam, sustentam, protegem, lambem e se  alimentam de Deus, do Estado, do Brasil, da Política, da História, da  Família, da Propriedade: são precisamente eles que sempre foram a grande  base de todas as ditaduras, oligarquias, nazismos, religiões, torturas,  normoses: nunca foram “vítimas”: e os “dominantes” (sejam aristocratas,  burgueses, políticos ou qualquer dessas deformações sinistras e  parasíticas) não passam de formas de “dominados” exercendo suas funções  no horror. Por isso não há “teorias libertadoras”, exatamente porque não  há ninguém a ser libertado, iluminado, conscientizado, levado ao  paraíso seja de cristãos, de marxistas, de democratas, de liberais, de  anarquistas ou qualquer outra forma degenerada de religião.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A transformação da escrita de  uma “História literária” numa “História científica”, se é que isso  aconteceu ou pode acontecer, não mudou a função subserviente da  Historiografia brasileira, isto é, não desfez o trabalho da construção  imaginária de um tempo estatal, nacional, não instaurou uma crítica  dissolutiva, aquela que acompanhasse a genealogia da instauração desse  tempo dominador servindo tão somente a consolidar identidades,  despolitizar os imediatos, se tornar pedagogia apascentadora de manadas  famintas por estabilidade e segurança. Precisando dum mundo imóvel,  consolidado, de uma interioridade protegida por papai do céu e papai da  terra, por patrões e sacerdotes, por deus e pelo estado, mediado pela  família, isto é, não há diferença essencial entre Von Martius, Francisco  Adolfo de Varnhagen, Capistrano de Abreu e José Honório Rodrigues,  Emília Viotti, Fernando Novais, Boris Fausto Evaldo Cabral, José Murilo  de Carvalho, - entre Gilberto Freyre (que daria tudo para ser visconde  de qualquer coisa) e Jacob Gorender.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A historiografia brasileira não é  mais que uma pedagogia da imobilidade e das territorializações. Nela,  tudo aconteceu, e continuará acontecido. Deus, o Estado e a família  agradecem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Literatura Brasileira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Temos a impressão que a  Literatura sempre existiu. E tome Literatura egípcia, Literatura Persa,  Literatura grega, Literatura Chinesa, Literatura medieval, Literatura  asteca, Literatura sumeriana, Literatura Xavante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Escrever histórias, lendas,  fábulas, mitos, poemas não é escrever Literatura. O que chamam  Literatura é coisa muito mais danosa, lesiva, evasiva e hidrofóbica  (teme o que flui, o que jorra, teme os devires, as  desterritorializações): é uma mercadoria, que nasce sendo vendida, sendo  feita para vender, para circular num mercado sendo transformada em  dinheiro. Sem dinheiro, sem o estímulo do dinheiro, sem mercado, sem  compradores, sem capitalismo, não há Literatura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Shakespeare não escrevia para o  deleite de uns poucos escolhidos, mas para produzir dividendos, recolher  dinheiro de espectadores e, no fim da vida, uns trocados pela venda de  suas peças em livro, mas era o oposto do espírito de severidade do seu  ao redor, fazendo fluir, também, as forças, as multiplas potências e  intencidades que escapavam ao seu “pequeno mundo”. Cervantes não  escrevia para seu prazer íntimo, solitário e para uns escolhidos, mas  para um mercado ávido de leitores e ele, ansioso por respeitabilidade,  por reconhecimento, morreu na miséria sonhando, como seu Quixote,  dignidades e dividendos, mas era um mundo dentro de outro mundo,  absolutamente o contrário da severidade inquisitorial da Espanha dos  muitos letrados parasitas: uma coisa é o escritor, outra a literatura  que ele ousa fazer ou não. Ele pode ser um parasita, mas sua Literatura  pode ser o inverso dele, enquanto ele imobiliza o mundo com sua falta de  caráter, sua literatura, surfa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Goethe não escrevia para  aprimorar sua compreensão do mundo, mas para brilhar nas cortes e  receber em troca poder, dinheiro e prestígio, forças bem concretas que  ele aproveitou a vida inteira, mas sempre aberto a algo bem maior que os  sonhos nacionalistas. Também ele desterritorializava, abria portas,  criava links, surfava nos devires.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Balzac e Dostoievski vendiam  criteriosamente cada capitulo dos seus livros para os jornais e cada vez  mais por mais dinheiro, e só escreviam por dinheiro, mas nem por isso  deixavam de abrir aquilo que, na Literatura, permite e faz fluir o  imóvel, o estável, o aceitável. De dentro da Língua nasce os surfares  que desfere contra a Língua um ferão mortal. Isso “nós, os brasileiros”,  não fazemos, nunca fizemos, apenas mentimos, escondemos, burlamos,  pondo a culpa na Língua, na “falta de poder político”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Nosso problema” não está na  Língua, numa pretença falta de conhecimento mundial da Língua ou falta  de poderes políticos e econômicos, mas na falta de coragem dos letrados  de todos os tipos, nas suas atuações letradas servirem tão somente para  manter e solidificar as despolitizações dos imediatos, tão conhecidas  dos historiadores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os livros de besteseleres e  Paulo Coelho não são exceções na Literatura brasileira, mas a norma, o  código, a forma, a razão, o desejo, o sentido, os procedimentos (sempre  oligárquicos) girando em torno de prestígio e dinheiro, mas nem em Paulo  Coelho, nem em Machado de Assis, nem em Graciliano Ramos, em Guimarães  Rosa ou Clarisse Lispector, ou Carlos Drummond de Andrade e Castro Alves  se foi além de serem funcionários da Língua, servos do Brasil, e suas  obras não são mais do que “documentos da barbárie”, isto é, aquilo que  chamam de Literatura brasileira é tudo, menos uma literatura, antes uma  escritura falsa, sustentando uma ordem muito bem construída e mantida,  um suporte do “estado nacional” e do “povo brasileiro e seus costumes”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Isso é a Literatura brasileira:  aquilo, ou aquela escrita que não enfrenta e não expõe o horror, que se  despolitiza no nascedouro porque precisa vender, precisa agradar,  precisa alisar sem morder, ou morder delicadamente, respeitosamente,  precisa cumprir sua função produtora, reprodutora, capacho, mimética,  funcionária. Fora dessas funções a Literatura brasileira escorrega sem  sentido. Pode até ser agradável para fazer passar certo tempo, mas não  vai mais longe, e nunca foi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A chamada “Literatura  brasileira” é a da Língua domesticada, Língua doméstica, Língua  domesticadora; Língua da-nação, Língua do estado, Língua de deus, Língua  de sacerdotes, Língua de letrados, Língua de professores de português e  gramática e sintaxe, Língua de sabatinadores; Língua dos filhos dos  senhores de engenho, dos senhores do mercado, dos senhores das terras,  dos senhores do comercio, Língua comerciante, Língua industrial, Língua  latifundiária, Língua da terra; Línguas das sinhazinhas casadoiras,  Língua de advogados, Língua da lei, Língua dos  leitores-estudantes-filhos-de-papai; Língua das igrejas, Língua das  salas-de-jantar, Língua das salas-de-aula, Língua dos shopingcenteres,  Língua das mídias, Língua respeitável; Língua territorializada,  encapsulada, Língua contra os devires; Língua dos corpos dóceis,  imbecis, tolos e sabidos dos leitores: literatura integradora do projeto  nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A Literatura brasileira é uma  estrutura panóptica (um lócus de inspeção, uma sela bem guardada, um  lugar do estado, do senhor e das senhoras, um lugar que permite ver a  nós mesmos enquanto manada já produzida, comesticada), estrutura  imperial e republicana, que vai e vem, pelo menos, de Macedo á Marçal  realizando exemplarmente sua função estatal, nacionalizadora, mercantil,  institucionalizadora, mantenedora das identidades da-nação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Seja Macedo vendendo seus livros  em tabuleiros levados por escravos ou Marçal vendendo seus livros nas  melhores editoras sendo logo transformados em filmes, o conteúdo é  sempre o mesmo: bairrismos, localismos, nacionalismos, regionalismos  escondidos, se apresentando como grandes obras. Basta ver o insosso,  medroso e minúsculo Machado de Assis, que infelizmente produziu uma  Literatura minúscula, medrosa e insossa, que nunca passou de um  escritor-funcionário e, exatamente por isso, conseguiu tornar suas obras  o eixo dessa Literatura de terceira categoria, Literatura que nem  consegue extrapolar seu território exatamente porque é escrita  territorial, escritura falsa, documento, textos de servidores; ou  Guimarães Rosa travestindo o mais chulo regionalismo em jogos de  palavras para esconder exatamente seu inescapável regionalismo, que  todos chamam universalismo precisamente porque assim se esconde sua  pequenez grotesca, sua servilidade pessoal diante das ditaduras  brasileiras e sua posição diante da lei; Graciliano Ramos, servindo a  “ditadura do estado novo” de dentro e caladinho, e sua escrita  imobilizadora da terra, expondo um viver imóvel, sempre  territorializado, respeitoso da Língua do senhor, sempre seco e austero  como deve se comportar um letrado consciente do seu kafkiano lugar, um  sacerdote de stalin, da família e do brasil; ou “nossos poetas”, como  Carlos Drummond de Andrade, chefe de gabinete de Gustavo Capanema,  ministro da “ditadura do estado novo”, que a única coisa que fez na  vida, assim como todos os poetas portugueses e brasileiros, foi escrever  “crônicas poéticas”, que são travestis de poemas, escritura medrosa de  serviçal escrevendo bonito enquanto trabalha nas ditaduras dos “campos  de trabalho e reprodução” que chamam de país: nossos poetas são  funcionários públicos não para se sustentarem, mas são poetas porque  gozam antes duma posição e dessa posição conquistam sua vida e seu lugar  “mais nobre” nas letras: nada neles faz fluir, desterritorializa,  enfrenta ou expõe o horror, tudo neles é retórica, crônica camuflada,  texto que pode ser lido por todos, artigos de jornal. Todos eles  “escrevem bem”. Por isso nenhum deles jamais fez literatura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;O centro da Questão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Toda essa seqüência de  funcionários servis da Língua, do Estado, que se autodenominam  escritores, mas que na verdade são escrivães, prestam um valioso serviço  ao fazerem crer, crendo também, que “expressam a realidade”, que  “representam seu tempo”. E assim se unem ao historiador nos nobres e  grandes papeis de criadores, salvadores e mantenedores da pátria e sua  ordem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O realismo, que atravessa toda a  Literatura brasileira até quando mente que é outra coisa, é uma espécie  de crença no escrito que escapa para as “linhas do mundo”, e “ler o  real”, escrever o real, se torna o próprio real numa inversão  judaico-cristã: o monstro é enfrentado apenas no espelho; o senhor é  burlado, invertido e vencido apenas no sonho, no teatral, no ódio  impotente e medroso: a letra é o mundo, a palavra do senhor é a verdade,  a casa do senhor é sagrada, os delírios do senhor é o real, a lógica do  senhor deve ser protegida assim como protejo a mim e a tudo que é meu:  sou o senhor: escrevendo simulo que combato dragões, malfeitos e  malfeitores: o senhor se esconde nos realismos, na defesa dos mais  íntimos valores burgueses e cristãos, como a igualdade, a liberdade, a  fraternidade, e outras virtudes teologais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os “povos do livro” se  congregando aos torpores interesseiros que protegem o poder e os  poderes, reverenciam o escrito como se fosse ele o próprio real; como se  fosse expressão do falado, do pensado, do rezado, do sonhado, dos  imediatos; e com essa associação mágica, xamãnica, animista, o escrito  passa a fazer parte da rede simbólica, virtual, lingüística, carnal, que  torna o real real numa sobre-reificação escondendo não somente o  caráter de signo, de “entes de imaginação” que são os próprios  “critérios histórico-sociais”, mas que, partindo da subjetividade, cria a  atmosfera e o campo objetivo, articulado, lógico, indo se agregar aos  conhecimentos e percepções como se proviesse do próprio viver (a “aura  mágica da letra escrita”).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nem o literário, ou o  historiográfico, “representa o real” nem o “real projeta o literário”:  os realismos dizem muito pouco do viver e muito das “ideologias” e das  visões de mundo (devidamente naturalizadas e universalizadas) de  determinadas redes vivas de repetição e vivência: o real não se reproduz  a não ser enquanto impotente imaginação: o real são idéias, não aquilo  que, por essas idéias, sentimos-pensamos como real: o caso dos realismos  e das escrituras de “classe média” servem unicamente como documento,  cartografias turísticas, não enquanto literatura precisamente porque  esconde de si no seu bordado não apenas a feitura, a su-posição do  olhar, mas que o que aparece não é o real (um real-mesmo jamais poderia  aparecer, poderia ser posto em palavras: isso seria truísmo se não fosse  tolice), mas os imaginários de superfície sobre a rede de vivências  reificadas: o real é o efeito pirotécnico da hegemonia. Mas a  superfície, “entre nós”, pertence às oligarquias, e por ser oligarca se  mantém espessamente realista e corporativa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim, “entre nós”, o real tem  sido construído através de uma tópica que, entre o século XIX e o XX,  veio se configurando como estilos realistas: o historiográfico, o  jornalístico, o sociológico, o psicológico, o memorialístico são  exemplos que, ao leitor, dão a sensação de dialogarem explicitamente com  a existência, de vivenciarem espontaneamente o passado, o presente, o  outro, o eu, o imediato, o social: sem desvendarem a si mesmos enquanto  tópica, enquanto gênero, enquanto imaginação de apoio e ficção: o real  que aparece é resultante de efeitos, de protocolos, de técnicas, de  padrões, de viezes, de redes específicas de vida, de fórmulas  jornalísticas e literárias, de efeitos historiográficos, de convenções  artísticas, de ritmos e respirações, de ocultamentos e simulacros: as  naturalizações, as universalizações e as generalizações se encarregam  dos efeitos especiais no final: e o real parece surgir deslocado da  escritura, desenvolvendo sua dança na vida, no imediato, solto das  regras literárias, historiográficas e de classe que puseram ele para  representar, camuflado nessa soltura as funções da encenação: nosso real  dança num imaginário prisioneiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Essa oligarquia realista da  superfície (como todas as teorias miméticas) tem raízes profundas “entre  nós”, mas seu aparecer acon-tece nas palavras, imagens, idéias, noções,  crenças, ações; esse espírito oligarca escolhe nossos parceiros em nós e  segrega com o olhar, a piada, o chiste, o muxoxo, os trejeitos;  maltrata e mata e tortura “homossexuais”, “negros”, “índios”, “pobres”;  abastece a percepção e ordena os materiais oníricos; essa oligarquia  realista é o real das relações e se transforma em condicionador do  produzido, do comentado e do que deve circular exigindo cada vez mais o  mesmo, a confirmação de si mesmo, do seu entorno e do seu intorno. Suas  matrizes são ditas “históricas”, mas sua vigência é presente e atuante, é  imediata, a História não pode dar conta. Seu aparecer não se dá mais  como antigamente: num processo de invaginação a oligarquia permanece  como dimensão interpessoal, geradora, protetora e reprodutora de si  mesma fora do tradicional “âmbito econômico-social”: outras formas do  mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na oligarquia das letras (a que  sempre escreveu o contrato da escrita e da leitura numa língua diferente  da do “povo”, seja a Literatura brasileira, seja a Historiografia  Nacional, seja qualquer outra manifestação discursiva) não há,  explicitamente, um “governo de poucos”, personalizados, mas difuso  estamento dominante, eficiente, grupos e indivíduos disseminados pelos  mais diversos “canais culturais, estatais e econômicos” detendo o acesso  e permitindo ele somente segundo regras estranhas ao pretenso fazer  literário ou historiográfico, tendo esse aspecto apenas dimensão  secundária. Se houver talento, inteligência, capacidade, melhor, mas  sempre dentro do “espírito”, do modelo conhecido e respeitado, sempre  fazendo parte da “patota”, da “igrejinha”, do “grupo”, dos “amigos”, da  “instituição”: muito fora do arquivo e do depósito - nada: a Literatura  brasileira é discurso escolhido, selecionado: pelos “processos do  compadrio”, pelos “irmãos de letras”, pela “confraternidade literária”,  como nomeava José de Alencar, ele próprio oligarca e oligarquizador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A Literatura brasileira garante  sua identidade se reduplicando, reafirmando as relações oligárquicas, as  realidades nacionais e fazendo elas aparecerem como “ficção”. Essa  Literatura é patrimônio, capital utilizado para reduplicação de si mesmo  e para todas as honras da posição. Sendo Literatura, é escritura para  servidores e reprodução de servidores, confirmada por todo um processo  educacional (“é uma continuação do exame de português”, como dizia lima  barreto, outro louco para fazer parte) e por todas as condecorações,  medalhas e fardões honorificos do panteão nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os “produtores” da Literatura  brasileira, os escrivães, dão continuidade ao conjunto lingüístico como  quem passa e repassa dinheiro, uma mais valia simbólica, capital social  antes que literário, sem entender, sem contestar, sem modificar o  conteúdo dessa negociação continuada. Nesse tráfico não pode fazer parte  o pensamento enquanto negatividade, superação de localismos  superficiais ou compreensão das matrizes perversas do real. O escrivão  (o trabalhador da escrita) é um escrevente inconsciente exigindo a  inconsciência mercantil, filosófica, radical do seu leitor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Determinado conhecimento,  experiência – é vetado, impedido de fluir, sendo substituído pelo  conhecimento e experiências letradas de determinadas classes em precisos  “momentos sociais”: não se transmite o fluxo integral, mas  parcializado; não se faz explodir a consciência, mas o mesmo é  renomeado. O pensamento advindo dessa lanternagem de segunda categoria  deixa bem claro como a nação pensa, como vê, como desdobra a si mesma  enquanto palavra e, com isso, podemos dispor de uma via privilegiada  para saber como “o povo” produz, reproduz e faz circular suas moedas  falsas, moedas que se crêem representação, suas mais ridículas e  fascistas imagens como se fosse arte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A Historigrafia, a Crítica Literária&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A matéria essencial da pesquisa  historiográfica, é a linguagem: é uma espécie de conjugação de  construção e desconstrução interpretativa de “materiais lingüísticos”:  documentos em geral são sempre sistemas de linguagens: figuras,  máscaras, peças, montagens, arquivos, astúcias, poderes e forças  cristalizadas; interpretações, perspectivas, lócus, disfarces, máscaras,  instituição: cicatrizes, chancelas, sinais, inscrições, regras  im-postas que formam redes: o historiador cria redes pro-vindas de redes  já organizadas: poder sobre poderes: força contra forças: a história é  um dos principais eixos de apoio discursivo da ocidentalidade, a máquina  tribal, sempre entrelaçado aos eixos cristão, científico, filosófico e  jurídico: a História é o gerador e mantenedor disciplinar dessa  discursividade maquiada como “temporalidade”: a História é o cão de  guarda do tempo, uma das suas criações: sua missão não é desprezível nem  sua marca invisível: seus poderes são muito maiores do que se imagina:  assim como a Literatura, ela age numa dimensão gerativa, fundamental.  Daí porque nem a História, ou uma Crítica Literária, ou mesmo uma  Filosofia, podem “dar conta” do pretenço “fenómeno literário”. Quem pode  dar conta da Literatura é a literatura. Mas a chamada “Literatura  brasileira” pode ser objeto de estudo porque não passa de uma escritura  falsa, ficando muito mais no ámbito dos documentos da ordem, que  constroem o estado e mantêm ele funcionando com seus torpores, do que  aquilo que realmente uma literatura poderia fazer, isto é, fazer fluir  as forças, desestabilizar, desterritorializar, desmobilizar o  estabelecido, criar uma “lingua menor” como um virus dentro de uma  “lingua maior”. Isso a História ou uma Crítica Literária poderia fazer,  se elas mesmas não fizessem parte das mesmas estratégias, dos mesmos  dispositivos que procriam a Literatura brasileira. São partes das mesmas  redes territorializadas, imobilizantes. Nada podem fazer a não ser  reproduzir as reproduções.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Palestra no &lt;/span&gt;II Encontro de História: Historiografia Brasileira - Problemas, Debates e Perspectivas.&amp;nbsp; Universidade Federal de Alagoas, Curso de História, 27 de outubro de 2010.&lt;span style="font-size: medium;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-8201808200789281925?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/8201808200789281925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=8201808200789281925' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/8201808200789281925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/8201808200789281925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2010/12/historia-e-literatura-impasse.html' title='HISTÓRIA E LITERATURA: IMPASSE BRASILEIRO'/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-114512610859114174</id><published>2006-04-15T15:32:00.001-03:00</published><updated>2010-12-24T20:45:55.116-03:00</updated><title type='text'>Alberto Lins Caldas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRUwe5ZCHDI/AAAAAAAAAJg/TRAr6Z_Hia8/s1600/alberto+agora+4.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRUwe5ZCHDI/AAAAAAAAAJg/TRAr6Z_Hia8/s320/alberto+agora+4.JPG" width="292" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-114512610859114174?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/114512610859114174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=114512610859114174' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/114512610859114174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/114512610859114174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2006/04/alberto-lins-caldas.html' title='Alberto Lins Caldas'/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRUwe5ZCHDI/AAAAAAAAAJg/TRAr6Z_Hia8/s72-c/alberto+agora+4.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-112527227905285417</id><published>2005-08-28T20:33:00.001-03:00</published><updated>2010-12-24T20:48:08.266-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;liberdade de corpo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 130%;"&gt;se a palavra tem dono&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 130%;"&gt;, é regulada, ordenada, posta a serviço, e cada vez mais é preciso lutar pela liberdade absoluta da palavra, da língua, o corpo exige também lutas particulares, guerrilhas próprias e cada vez mais urgentes &lt;span style="font-size: 78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.unir.br/%7Ealbertolinscaldas/tudodizer.htm"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 78%;"&gt;http://www.albertolinscaldas.unir.br/tudodizer.htm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;direito ao aborto&lt;/b&gt;: o corpo é meu: se a morte é considerada há algumas décadas como cerebral, se estar morto é não haver atividade cerebral, quem disse que um feto de algumas semanas ou mesmo meses tem atividade cerebral significativa, "humana": o contrário esconde o controle de uma forma submissa de corpo, aquele que normalmente se chama mulher ou feminino: ele pertence a todos e a tudo, menos a quem é ele: corpo regulado para reproduzir, não para ser: e mesmo independente de vida ou morte cerebral, o direito é desse corpo, dessa vida, dessa escolha e de mais nada: eu escolho: o estado e os outros não podem garantir a vida como se fosse um direito sagrado quando na verdade estão garantindo a reprodução dos trabalhadores e dos serviçais.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;direito à eutanásia e ao suicídio&lt;/b&gt;: nenhum estado, nenhuma família, nenhum poder, nenhum outro pode dizer que não posso morrer, que sou obrigado a continuar vivo, quando considero minha morte, meu desaparecimento como essencial: isso quem escolhe sou eu.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;direito às drogas&lt;/b&gt;: por que não devo fumar, me drogar, fumar até me fartar? se pessoalmente não gosto, nunca provei e tenho outros desejos, outro caminho, outra ordem, não posso nem devo dizer aos outros o que tomar, o que beber, o que cheirar, o que injetar; somente estados e sociedades facistóides e preocupadas com a saúde e os horários de seus funcionários pode criar leis proibindo, regulando e punindo o consumo ou a “apologia aos crime” (mais uma vez crime de opinião, de expressão, de idéias). direito a uniões: proibir casamentos entre indivíduos é uma das coisas mais estúpidas e compreensíveis do mundo: se o mundo não fosse nazista isso não aconteceria: o desejo, sob que a forma momentânea ou estável que se coagular, deve ter o absoluto direito de consensualmente se unir a que outra forma de desejo, de corpo, de língua, de crenças: e legalmente como precisam para viver em relações econômicas, sociais, políticas e familiares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-size: 130%;"&gt;o corpo, desde que pleno de consciência, de desejo, pertence a ele e a mais ninguém.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-112527227905285417?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/112527227905285417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=112527227905285417' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/112527227905285417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/112527227905285417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2005/08/liberdade-de-corpo-se-palavra-tem-dono.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-112518742488845782</id><published>2005-08-27T20:57:00.000-03:00</published><updated>2005-08-27T21:03:44.903-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O INTELECTUAL E O DESTERRADO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;*. O intelectual não é quem tem uma “formação acadêmica”, mas é, antes de tudo uma espécie de “agenciamento” numa forma específica que faz as mediações peleguistas entre o que chamava certo marxismo de “superestrutura e infra-estrutura” (“bloco histórico”): seu lócus nas “relações materiais” e nas “relações sociais”: é uma situação de amortecimento em forma de um agente onde o imaginário e o tempo não se descontrolam, mas são mantidos na ordem explicativa, na ordem causal, na ordem da ordem: por numa gramática, numa lógica, numa causalidade.&lt;br /&gt;*. Em sentido amplo o “intelectual engajado” parece que desapareceu no fim dos anos setenta do século XX. Com a desmoralização das ideologias transformadas em filosofia e ciência e delas mesmas como arautos da verdade, filho do absoluto e do real, esse intelectual meteu o rabo entre as pernas e, quando não morreu de velho, voltou para sua biblioteca ou algum emprego bem remunerado. E calou a boca pública. Mas não foi por uma possível “ascensão dos valores individuais”, por uma “explosão da mídia” ou pela impossibilidade de aliar política e ética, reflexão e ação.&lt;br /&gt;*. O intelectual “sempre” foi aquele que defendia “valores universais”, “verdades naturais”, “ações conjuntas”; falavam pela “humanidade”, pela “sociedade” ou por alguma especialidade qualquer (a especialidade também trata da universalidade dessa parte) e faziam parte de uma oligarquia das letras (grupos de formação, respeito e dialogadores; lugares de formação; relação de divulgação; produtores da mercadoria cultural; respeitabilidade da cultura e do saber; senhores do discurso): daí seu lugar ficar sempre camuflado: seu lócus não podia nem devia aparecer: só apareciam suas universalidades e seus valores, seus livros, artigos, quadros, músicas, esculturas, peças de teatro, poesias: as relações de formação, produção, divulgação, manutenção e legitimidade ficavam obscurecidas por suas próprias palavras e ações: pareciam não pertencer a lugar nenhum, desde o mais engajado ao mais especialista, do mais revolucionário ao mais integrado.&lt;br /&gt;*. Seu papel era transformar ética em política, conhecimento em ação, da doutrina ao empreendimento, do aprendizado ao ensino, do saber ao fazer saber: intelectual seria todo aquele que pensaria, que transformaria pensamento em ação ou, pelo menos, na reprodução do seu aprendizado. O que tratava com os saberes de uma maneira ou de outra. E esses saberes deveriam estar engajados numa posição “progressista”, se os intelectuais fossem “engajados”, críticos; de uma maneira institucional, se os intelectuais eram funcionários; de uma maneira revolucionária se os intelectuais eram revolucionários; e de uma maneira “popular” se o intelectual era “orgânico”, ficava na sua comunidade, no seu bairro produzindo “cultura” ou “organizando o pessoal”.&lt;br /&gt;*. O que sempre ficou na obscuridade e na dúvida era a posição do intelectual engajado e do intelectual genérico (classe, grupo, instituição, povo, nação): falar do universal é falar de todos os lugares; falar de um lugar e de um saber específicos era ser especialista; falar daquilo que se faz para seu lugar é ser intelectual popular (artista popular): mas todos pairando sobre as condições imaginárias que geram os lugares e suas funções.&lt;br /&gt;*. O intelectual sendo “fruto de uma realidade sócio-cultural específica”, estando sempre “intimamente ligado a seu contexto histórico” não passa de uma “vaca de presépio” que nega exatamente essa condição não somente humilhante, mas que inviabiliza concretamente as vias negativas da existência: sem que essa negatividade corrompa realmente, dissolva e disperse concretamente, a vida torna-se somente a vida da manada, do cardume: o intelectual é aquele que pertence sem se sentir pertencendo e convencendo os outros que está ali bebendo, escrevendo, ensinando, pintando, esculpindo, fazendo música, conversando, ensinando, mas não está, está noutra: ocultamentos.&lt;br /&gt;*. Todas as formas de intelectuais são aterrados: pertencem a um povo, a uma nação, a uma língua, a uma História e a uma história; a um sistema de idéias, a uma filosofia e a uma visão de mundo; comunga com valores e rituais; com crenças específicas, com fazeres e a relacionamentos estabelecidos; defende “relações de produção” e “meios de produção” de coisas demais (de uma maneira ou de outra o que ele mais deseja é “contribuir”); salva o estado nem que seja matando todos que discordem disso; respeita técnicas e tecnologias; tem uma cor, um sexo, uma palavra, uma missão, um credo; compartilha peculiares “relações de poder”: sua função básica é esconder esses aterramentos, esses pertencimentos, esse respeito último, ou primeiro, tanto ao universal e ao genérico, quanto ao local e ao específico, o nacional e o mundial: sua ação faz fluir, permite fluir, diz porque flui, para que flui e porque deve fluir: ele, de uma maneira ou de outra, materializa o imaginário: mas essa materialização é, antes de tudo, ocultamento, velamento.&lt;br /&gt;*. Aterramento: é tanto soterramento e pavor quanto deixar passar a corrente. Aquele que “se aterrou”: coberto, cheio de terra, próximo da terra, surge de um aterro, terra firme “no centro ou à margem”: fora dos alagadiços: sua função é cobrir de terra, esconder-se embaixo da terra; o aterrorizado (o medroso, o apavorado, o intranqüilo): o medo faz parte do intelectual, principalmente em sua forma “funcionário público” e nas “profissões liberais”; sua matéria entra na terra como rizomas deixando passar incólumes os raios, as vibrações, as trepidações, as energias, as negatividades: não permite que nada disso faça mal, atinja o que não deve atingir: ele explica, põe nos moldes, no tempo correto, no devido lugar, na forma certa, no específico movimento, nas requeridas palavras. Não há intelectual sem ser aterrado: todo intelectual é aterrado.&lt;br /&gt;*. O desterrado não é intelectual, mas um vírus, uma guerrilha singular, uma bactéria sozinha devorando o sistema, a estrutura, insatisfeita, se auto reproduzindo, destruindo sem pretender construir; sem os sentimentos aterrados (no coração), sem os lugares aterrados (no planeta, na pátria, na região, no bairro), sem a carne aterrada (um sexo, uma cor, uma família): sua ação é estar fora mesmo estando dentro: está dentro por não poder estar em lugar-algum (prefere o nada ao ser): todos os lugares são matéria da sua atuação destrutiva: é a negatividade radical: desde baixo, por dentro e por nada: sem origem e sem fins: não pertence ao todo: exclusão, exceção, excomunhão, proscrição, desterro, transferência, mudança, transplantação, exílio, expatriado, deportação, degredo, desembarque, evacuação, deslocamento, dispersão, ejeção, levar fora, pôr no meio da rua, no meio do olho, relegar, vagar, rechaçar, desconjuntar, foragido, contra a lei, contra a ordem, estranho, violento: não quer “mudar a história” porque para ele não existe história, não quer mudar a natureza porque ele sabe que a natureza não existe (por isso tudo é possível!), não quer mudar o estado porque ele quer que tudo vá pelos ares: ele não luta por um fim, mas simplesmente contra, inclusive contra si mesmo: seu horror ao espetáculo, a tudo da tribo, aos relacionamentos e idéias, as formas e aos conteúdos, aos valores e saberes, ao tempo e ao ritmo é tão grande que sua ação virótica é somente dissolver de todas as maneiras enquanto estiver vivo: seu único horizonte é a individualidade: esse é o seu único desejo, seu único gozo, sua meta e seu fim.&lt;br /&gt;*. Não “mudar a História”, não “não mudar a sociedade”, não “mudar os costumes”, não “mudar o pensamento”, não ter nenhum “projeto”: mudar tudo, ser contra tudo sem projeto, sem fins, sem estado, sem utopia, sem bons valores e boas morais, sem ser “guia espiritual”, sem compactuar com nada, sem carregar nenhuma verdade, sem nenhuma ideologia: ácido e merda sobre tudo.&lt;br /&gt;*. Os intelectuais, mesmo sendo necessária e possivelmente incômodos, por fazerem parte de um grupo (normalmente a parte crítica desse grupo ou da nação como “missão maior”), não podem ir até o fim: suas constituições (pois existem vários tipos de intelectual) são de bobos da corte: servem para divertir incomodando, dizendo, ensaiando o que ninguém diz, mas isso guardadas as devidas proporções, o limite, a ordem, a cadeia de crenças fundamentais: o rei, a corte, os súditos e os companheiros riem e compartilham até certo ponto. Depois que ele deixa de ser parte do sistema, de fazer rir e fazer chorar, de encenar e se encantar, e dizer e fazer o que deve ser dito e feito para melhorar o rei, a corte e os companheiros, isto é, quando deixa de ser intelectual, sua condição piora muito: fuzilado, torturado, preso, perseguido, exilado (o exílio do intelectual nunca é verdadeiro: ele morre de saudade da sua terra, da sua pátria, dos seus concidadãos: o desterrado não tem pátria e não se guia por essa falta: ser sem pátria é condição de sua respiração, do seu sangue, das suas idéias, não um horror, uma saudade: é uma libertação) ele muitas vezes já é sendo somente intelectual, quando se torna um desterrado sua situação é insustentável.&lt;br /&gt;*. O intelectual vive fazendo mediações: vive em trânsito entre o poder e os poderes, entre as crenças e outras crenças, entre metrópoles e periferias, entre a escrita e a fala, entre os pobres e os ricos, entre a língua dos senhores e a “língua do povo”, entre ter ou não ter (que vocação de pelego!): sua antiga crença batmaniana de “defensor dos fracos e oprimidos” dissolveu-se em pó, em sangue, em grito, em erudição ou cumplicidade: sua perspectiva dos “desfavorecidos” mostrou-se piedade de classe, a falsa visão da má-fé, sendo somente corrente de sentimentos camuflados de ideologia; sua “perspectiva dos operários”, do “ponto de vista do trabalho” como queria Lukács, terminou em banhos de muito sangue; sua vontade de “guardião da democracia” terminou num emprego, numa posição, numa disposição, num bem-estar: terminou em conversa; sua boa-vontade de que todos fossem também intelectuais, que vem desde o iluminismo (passando por Marx, Weber, Lênin, Gramsci até Bobbio), mostrou o quanto de mentira pode caber numa simples verdade que não sabe que é somente mentira e má-fé. De porta-voz ele passou a ser o que sempre foi: porta-bandeira. A diferença é que antes eles faziam circular seu discurso entre os pares e os interessados, entre os companheiros e os simpatizantes, agora seus discursos fluem via mídia, num espetáculo miraculosamente carnavalizado, que é o mesmo que ridiculamente em festa.&lt;br /&gt;*. O intelectual não consegue nem ver nem fazer ver a diferença, os devires da diferença porque sua visão é narcísica, sua atuação é hipnótica: como crê em universais, em natureza e ciência, na história e no mercado, sua matéria só pode ser o mesmo: ele não consegue perceber ele mesmo sempre ali diante dele, e tudo que ele acredita, e tudo que seu mundo acredita: tudo naturalizado, historicizado, sociabilizado, universalizado: pobre cria da “revolução francesa” e dos mais chulos romantismos: é cristão, é messiânico, é litúrgico e não sabe.&lt;br /&gt;*. Não há nada predestinado num intelectual: ele é a resultante do seu lócus e a inclusão de outro lócus como se fossem seus: discursos sobre discursos entrelaçados: daí o intelectual se tornar um mistério. Somando-se a isso o jorro de escuridão vindo de sua atuação e falas (missão revolucionária, sacerdotes do saber, visionários, profetas, políticos, carregadores das explicações, filósofos) o intelectual se “encontra com a história” e alardeia esse encontro inventado por ele mesmo: ele se encontra com nada e diz que está “no olho do furacão”: o intelectual vive seu teatro como se vivesse realmente no imediato do presente (vive perdido no tempo: dando uma ordem esperada ao tempo): seu imaginário, como corresponde ao imaginário social (que é alienado, hipostasiado diante de si mesmo), é um se curvar para escutar melhor seu próprio eco. Esse eco aparece como “consciência verdadeira” ou como a “vanguarda do pensamento”: ilusões do grande “movimento punhetista” que todo intelectual faz parte. Assim ele dissimula não somente sua classe, os limites da sua verdade e da sua atuação, do seu grupo e das crenças desse grupo, mas cinicamente com as desculpas da má-fé, a si mesmo como um elemento de uma rede discursiva periculosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*. “Produto de sociedades despedaçadas, o intelectual é sua testemunha porque interiorizou seu despedaçamento. É, portanto, um produto histórico. Nesse sentido, nenhuma sociedade pode se queixar de seus intelectuais sem acusar a si mesma, pois ela só tem os que faz.” (Sartre, 1994: 31)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*. O “intelectual brasileiro” é somente aquele que faz parte da oligarquia das letras: de uma maneira ou de outra da órbita do estado e da nação (não há intelectual sem alguma crente relação com o poder e com os poderes): ele é a consciência, nunca realmente crítica, dessa forma de existência imaginária da hegemonia: não é considerado quem está fora, quem não faz parte, quem não tem amigos, colegas, companheiros: quem não defende aquilo que faz um brasileiro: seu horizonte é o brasil”: uma específica mentalidade imbecil que se formou entre os senhores, os escravos, os agregados, os migrantes e os funcionários públicos: o intelectual como aquele que “transmite o conhecimento” faz parte da “construção da nação”, do universinho verde amarelo, lusonazista: sua função, de uma maneira ou de outra, acadêmico ou revolucionário, sempre foi “servir à pátria”, sempre foi fazer parte, sempre foi “contribuir para a elevação do nosso povo”, para o melhoramento da “nossa língua”, para a “aprendizagem do trabalhador”, para o “futuro da nação”. Excepcionalmente o incômodo do intelectual brasileiro passa rápido (“via de regra” não dura três dias): basta um emprego, um dinheiro, um respeito, uma cadeia, uma torturazinha básica, um casamento com filhotes, um pouco de tempo e tudo bem. A “consciência crítica”, que é uma das funções tradicionais do chamado intelectual, sendo parte integral e esperada do “espírito de corporação”, do nepotismo, do filhotismo da oligarquia das letras, é sempre comparativo, efusivo, integrativo (“não tem valor porque parece com ...” ou “é uma revelação”, ou “um grande momento da nossa cultura” e por aí vai): como são idéias e formulas da oligarquia, elas são esperadas e funcionam muito bem pelo menos durante esses dois últimos séculos: não há nem nunca houve no brasil realmente nenhuma negatividade intelectual: tudo se enquadra e é feito para se enquadrar.&lt;br /&gt;*. O “dever crítico”, gramsciano, que estabelece uma “relação crítica” com a cultura, com as idéias e, principalmente com a “vida política”, que seria uma das suas funções, aquilo que possibilitaria uma “mudança social”, no brasil, é absolutamente impossível: tudo isso é feito por um estamento preciso (vem de todos os lócus, mas cria imaginariamente um lócus de inspeção, onde o “agir livremente” sartriano é uma paródia da liberdade), por uma corrente determinada, por uma “prostituta respeitosa” que tem o brasil como eixo e margem. Essa nacionalização constitutiva do intelectual brasileiro, participando da verdade como se ele e ela não fossem lados do poder e das igrejinhas, não chegou sequer a se tornar, a não ser no delírio estúpido dos “militares”, um “contra-poder” ou um “poder-contra”. São vigilantes da verdade do estado, da nação, da língua dos senhores, da história, da natureza, do mercado, das mercadorias, dos amigos, da oligarquia. Sua luta ocasional e forçada contra “abusos de poder”, “violações de direitos”, “autoritarismos”, “desvios”, “censuras”, “crises políticas”, “tensões sociais”, “injustiças” são sempre dentro do possível, do permitido, do esperado, do justo, do integrado, daquilo que libertaria a nação de algo estranho, imperfeito, deformado, não de algo que faz parte constitutiva da nação, do estado, do brasil (e o chamado povo sempre de quatro defendendo sua posição, seu enrabamento violento, sem trégua, e louvando seus senhores com toda a sua “cultura popular” e suas minúsculas crenças cotidianas: sempre de braços e pernas abertas). Daí porque o intelectual brasileiro jamais ter podido ser uma “consciência crítica”, um exemplo, mas somente mais um integrado, um membro dileto da oligarquia das letras, se mantendo numa posição cultural e numa “memória nacional” precisamente por sua posição diante do poder e dos poderes, dentro e para o lócus de inspeção. Sua ética, ligada ao estado, as crenças sociais, aos poderes, a oligarquia das letras, mesmo vivendo aterrada entre misérias e horrores, desigualdades e injustiças monstruosas, não consegue se libertar do campo de força do brasil. Sua palavra é sempre integrada, risonha, participativa, funcional, nacionalista, bairrista e oligarca, mesmo quando esconde isso com “discursos competentes”, ficções e cidadanias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;BOBBIO, Norberto. Os Intelectuais e o Poder. Unesp, São Paulo, 1997.&lt;br /&gt;BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Difel/Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 1989.&lt;br /&gt;CALDAS, Alberto Lins. Litera Mundi. Edufro, Porto Velho, 2002.&lt;br /&gt;__________. Oligarquia das Letras. Terceira Margem, São Paulo, 2005.&lt;br /&gt;CAMUS, Albert. O Homem Revoltado. Livros do Brasil, Lisboa, s/d.&lt;br /&gt;CHAUÍ, Marilena. Cultura e democracia. Moderna, São Paulo, 1982.&lt;br /&gt;CASANOVA, Pascale. A República Mundial das Letras. Estação Liberdade, São Paulo, 2002.&lt;br /&gt;FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Graal, Rio de Janeiro, 1985.&lt;br /&gt;__________. Ditos e Escritos IV. Forense Universitária, Rio de Janeiro, 2003.&lt;br /&gt;GONZALEZ, Horário. O Que São Intelectuais. São Paulo, Brasiliense, 1981.&lt;br /&gt;GRAMSCI, Antonio. Maquiavel, a Política e o Estado Moderno. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1979.&lt;br /&gt;__________. Materialismo Histórico e a Filosofia de Benedetto Croce. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1981.&lt;br /&gt;__________. Os Intelectuais e a Organização da Cultura. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1982.&lt;br /&gt;__________. Literatura e Vida Nacional. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1986.&lt;br /&gt;GROS, Frédéric. Foucault: A Coragem da Verdade. 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caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110467617281144445</id><published>2005-01-02T11:27:00.000-03:00</published><updated>2005-01-02T11:32:21.606-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;ORIGENS&lt;/strong&gt; – há uma pergunta recorrente que é usada praticamente em todas as situações: “de onde você é?” esse “é” diria, ao ser aceito e respondido, posto em lugar e tempo, quem é o sujeito, o que pensa, o que faz, porque e como pensa e faz, porque fala assim dessa maneira, e age e sonha e escreve e planeja e trabalha e se relaciona assim.&lt;br /&gt;esse “é” é mágico porque ele é o &lt;strong&gt;zoológico perfeito&lt;/strong&gt; (ele põe no setor correto, na jaula certa, na placa definidora, na alimentação requerida, com os companheiros corretos, com os comportamentos de praxe); a &lt;strong&gt;taxonomia ideal&lt;/strong&gt; (na legítima espécie, no verdadeiro gênero, na requerida ordem: sem mutações, sem vazios, sem indecisões, sem enquadramento, sem não-aceitações, sem revoluções radicais, sem não); o &lt;strong&gt;senso absoluto&lt;/strong&gt; (aqui eu me ponho, aqui eu sou, aqui está minha diferença e a razão da minha diferença); na &lt;strong&gt;história verdadeira&lt;/strong&gt; (isso me diz, esse processo me caracteriza, essa origem me satisfaz, essa tribo sou eu, esses irmãos me completam: somos iguais); na &lt;strong&gt;geografia adequada&lt;/strong&gt; (sou deste lugar e esse lugar com essa gente e seus costumes sou eu: um fragmento disto: eu sou esse lugar mesmo longe dali: o lugar é uma marca: sou ferrado pelo lugar: o nascimento é a razão); na &lt;strong&gt;raça esperada&lt;/strong&gt; (esta cor sou eu, a história dessa cor sou eu, as relações dessa cor sou eu: fora desta cor sou um estranho, um outro: essa cor me determina porque ela é natural ou, pelo menos, assim deve ser ou parecer); no &lt;strong&gt;sexo visível&lt;/strong&gt; (aquilo que visto, o tom da minha voz, para onde e para quem olho, quais histórias e piadas conto, como uso o gênero na linguagem, como exerço parte do meu desejo, com quem me relaciono é índice do meu sexo); na &lt;strong&gt;língua apropriada&lt;/strong&gt; (a maneira como falo ou escrevo diz o meu lugar: me põe numa classe, num estamento, numa casta, numa região, numa família ou num favela, numa estribaria ou numa universidade, entre miseráveis ou entre ricos, entre sábios ou ignorantes, entre migrantes ou cidadãos, entre os que podem ou entre os que não podem): tudo isso e algumas coisas mais é o “é”.&lt;br /&gt;respondido o “é”, podemos compreender plenamente esse sujeito, esse que se apresenta, isso que fala. esse “é” é uma pergunta divina: com ele o sujeito, ou a coisa, se torna transparente, dado, acabado: não deixa dúvida. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;alberto lins caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110467617281144445?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110467617281144445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110467617281144445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110467617281144445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110467617281144445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2005/01/origens-h-uma-pergunta-recorrente-que.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110466878961448791</id><published>2005-01-02T09:15:00.000-03:00</published><updated>2005-01-02T09:26:29.613-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;FIM DE ANO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;- a babaquice, a ignorância, o entorpecimento adoram "fogos de artifício", babam de satisfação, gozam nas explosões, pulam feito sapos no inverno quando reconhecem formas fugazes naquilo ali em cima: qualquer forma os excita e alegra. nenhum deles nunca se conteve diante de uma festinha ruidosa, só pode conceber uma festa como algo ruidoso, onde não se consegue ouvir ninguém e todos gritam numa sanha de cios em fogo, em plena esperança de reprodução, no batuque ensandecido dos que não conseguem aplacar o comichão dos rituais esperados. e o fim de ano é a convergência dessas formigas insatisfeitas em imensos cardumes ruidosos como se orgias metafísicas explodissem em suas carnes moles. quanto mais toneladas de pólvora explodem mais as antas vibram, urram, latem e se espojam na lama insatisfeita e na esperança sempre regrada. e "rompem o anus" com todas as satisfações dos duplos sentidos jamais satisfeitos com plenitude.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;alberto lins caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110466878961448791?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110466878961448791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110466878961448791' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110466878961448791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110466878961448791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2005/01/fim-de-ano-babaquice-ignorncia-o.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110459786082856749</id><published>2005-01-01T13:38:00.000-03:00</published><updated>2005-01-01T14:04:42.936-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;TUDO DIZER&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;um e-mail me pergunta sobre a palavra parrhesia [pan= tudo/rima= dizer, o que é dito, o “tudo dizer”: “falar sem obstáculos”, fala franca, simples, direta, a “livre palavra”; liberdade e franqueza que transcendem as normas e leva a um “mais além” dialógico; o enfrentamento, “fala não farisáica”, “orgulho da língua livre”, a “fala sem amarras” dos “homens livres”; no catecismo católico quer dizer “simplicidade sem rodeios”, “confiança filial”, “jovial segurança”, “audácia humilde”, “certeza de ser amado”, coragem, confiança; faz parte das múltiplas manifestações da graça: relação com deus e com os homens, antecipação da salvação como alegria e humor, discernimento e coragem (a parrhesia propriamente), os dons do espírito santo; “liberdade de tomar a palavra” ou seja, na “assembléia do povo”, falar francamente] e parresiata (aquele que considero o legítimo filósofo), aquele que diz tudo, o que tem a coragem da verdade, usados no meu texto “liberdade de expressão”, e eu respondo: a parrhesia era dimensão da coragem, daqueles que, por não serem senhores, diziam a verdade, se davam ao direito de tudo dizerem até mesmo com sua vida, com o risco da vida, que era a garantia da verdade, que jorrava do seu exemplo, das suas escolhas vitais: dizer a verdade era conseqüência da vida em busca da verdade. a crença na verdade e a busca pela verdade era o mesmo que a verdade, a verdade como uma garantia vital, uma crença feita com a vida, como sócrates. ele dizia, através de platão (“a república”), que a “parrhesia é a causa de minha impopularidade”, e vivia e morreu em conformidade com a parrhesia tornando ela a própria filosofia não somente como um dizer sobre o ser mais um dizer que tem a coragem de dizer, de se dizer ao dizer o mundo e os outros.&lt;br /&gt;na minha primeira juventude, quando comecei a ler filosofia em busca das minhas buscas, encontrei como todo leitor os livros de platão e seu personagem principal. com sua vida e morte o sentido das buscas se resumiram e se consolidaram numa só, que viria a chamar literatura em seu sentido estrito e afiado. sócrates vivia conforme, seu dizer e sua vida eram com aquela forma onde uma supõe a outra, sem as contradicções tradicionais. a verdade e a vida estavam na vida como exemplo integral. o seu “quem sou?”, “ao que me conformo?”, “que estou aceitando?”, “sou cúmplice do que?”, “como me libertar mais ainda?”, “sou condescendente?”, “que devo fazer nessa cidade e com os costumes dessa cidade”, “dizendo isso serei amado ou ser amado é sem importância diante da verdade?”, “como libertar o outro das suas ilusões?”: crítica e autocrítica juntos, escolhas fundamentais. a verdade e o dizer a sua verdade sobre a corrente, apesar da corrente, arriscando a vida, a paz, os amigos e amores, a segurança e o respeito: a parrhesia exige isso, o risco em fazer a verdade se identificar com o risco vital: o parresiata é um toureiro e sua arte exige o risco de vida para ser exercida: sem o touro a tauromaquia seria somente uma dança.&lt;br /&gt;a parrhesia continua a ser fundamento para qualquer teoria, qualquer dis-curso que deseje dizer o mundo ao mesmo tempo que aquele que diz, aquele que assume o dizer. e dizer a verdade é também dizer o falador e dizer todos em torno desse dizer e desse falador. a liberdade de expressão se torna cada vez mais uma espécie de “ultimo bastião” da liberdade social na onipresença da mercadoria. num mundo tal devemos e temos a obrigação ética de “interpelar” tudo e a todos sem amarras, sem medo das conseqüências, sobre o que fazem governos e o que dizem, o que permitem e o que proíbem, o que cercam e o que abrem, sobre o sentido de cada crença e cada palavra e cada ameaça travestida de “bons costumes”, interpelar a lei e os “senhores da lei”, interpelar os crentes e suas crenças, os “inocentes” e os “culpados”, as economias e as políticas (inquirir táticas e estratégias), interpelar o corpo e suas técnicas, as mídias e suas loucuras servis, interpelar as ações e as inações, as decisões, interpelar os saberes, as imagens, as experiências, o senso comum e as filosofias, o desejo e o gozo: somente assim posso começar a ser um “cidadão”: sem essa interpelação furiosa a cidadania é somente um apêndice dos poderes e do poder, daquilo que é exatamente contra a existência do cidadão e de toda possibilidade real de democracia (sem a parrhesia a própria lei é um simulacro): a parrhesia é “perguntar sobre a verdade”, é clamar por ela quando se encontra tão travestida de realidade, de natureza, de crenças, de poderes e de saberes que ela mesma e todos nós já não nos sabemos senão o que o mundo do formigueiro deseja que percebamos: a parrhesia é quebrar esse espelho cruel.&lt;br /&gt;sem a parrhesia a sociedade não conquista a cidadania e a universidade sua existência. só há cidadania se há parrhesia e sem ela a universidade é somente “instituição de ensino”, estribaria da reprodução dos saberes técnicos para servir aos mecanismos alienantes do trabalho: lugar de reciclagem, de lixo reutilizável. daí porque a parrhesia é atingida tanto na cidade quanto na universidade: sua inexistência, o vazio que deixa, o combate constante a sua prerrogativas diz muito tanto da cidade quanto da universidade (diz muito deste horror maligno chamado brasil).&lt;br /&gt;só uma sociedade sorrateiramente autoritária, que confunde lei e ordem com democracia; onde a mercadoria é intocável em sua forma de existência, pode ser contra a “liberdade de expressão” (considerada aqui aquela que vai além da permissão, além da lei, além do respeito, além do poder, além do costume e da individualidade intocável como “sujeito de contrato”). dizer contra a ordem, contra a norma, contra a forma porque essas são “palavras de ordem” militar, não pleno exercício de democracia ou liberdade. a grande razão do filósofo não é dizer o ser, não é lutar pela verdade (que muda o tempo inteiro ao sabor de todas as ondas), mas pelo dizer a verdade com a coragem e o risco da vida, a coragem de lutar pela liberdade de dizer a verdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;alberto lins caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110459786082856749?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110459786082856749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110459786082856749' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110459786082856749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110459786082856749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2005/01/tudo-dizer-um-e-mail-me-pergunta-sobre.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110208529168537525</id><published>2004-12-03T11:47:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T11:48:56.493-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;DEFENDER A PÁTRIA&lt;/strong&gt; – dizem os fascistas que as “forças armadas brasileiras estão no olho do furacão” porque estão passando por “acusações graves e palpites os mais diversos”, e que todos estão lançando “dúvidas, buscando desacreditá-las perante a opinião pública”: o exército tem vivido de golpes, de violência truculenta e ingerência indevida contra a sociedade civil, contra as mais diversas formas de democracia e acham sinceramente que dizer a verdade é perseguição, violência, ódio e revanchismo. acham absolutamente com sinceridade que seu modelo de mundo, de relações, de governo e governabilidade, de povo, de democracia, de educação, de liberdade de expressão é a única verdadeira, a única possível, a única que deve prevalecer. a violência, o ódio, a truculência são vistos como coisas “das esquerdas”, que são tão burras e nacionalistas quanto qualquer forma de fascismo (essa é uma das grandes lições do século XX, este século medonho). e se propõem a ser uma alternativa ao “horror comunista”, como se não fossem uma das formas monstruosas do “horror fascista”.&lt;br /&gt;para eles a “formação do homem é fundamental”: o ensino deve se moldar a sua visão estreita e mentirosa de mundo: o golpe de 64 contra a democracia, contra as liberdades, contra a educação, contra tudo que pode ser verdade e liberdade, contra toda uma sociedade escolhendo seus caminho, deve, segundo eles, aparecer como uma “salvação da pátria”, uma honra que deve ser lembrada, homenageada e respeitada. e seus colégios devem ser vistos como “modelos de ensino”, e não como o horror da educação, a deformação em estado puro, o fim da inteligência, da crítica e da imaginação enquanto fundamentos da educação. o conflito, a irreverência, a contradicção, isso sim seria educação. confundem ética com moral e formatam a moral segundo um modelo militar, como se esse fosse ou pudesse ser modelo para qualquer coisa razoável: e a ética aparece como uma “cartilha militar”. ensina-se “a verdade, a amizade, o amor, a crença em deus e o respeito à dignidade humana” mas não o respeito absoluto a todos os contrários a isso, a tudo que seja o oposto a disso, o supremo direito de discordar disto e ser protegido nessa diferença radical. por isso não é formação, mas deformação; não é educação, mas adestramento. a “história do brasil” que conhecem e estudam é a que eles mesmos querem que seja, a mesma produzida enquanto ideologia de deformação pelo estado e pelos “intelectuais” a serviço do mercado: e o círculo se completa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110208529168537525?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110208529168537525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110208529168537525' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110208529168537525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110208529168537525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/12/defender-ptria-dizem-os-fascistas-que.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110185603557678255</id><published>2004-11-30T20:05:00.000-03:00</published><updated>2005-01-01T13:52:50.496-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;LIBERDADE DE EXPRESSÃO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;tenho me engajado a vida inteira na luta e na defesa da liberdade. aqui pretendo falar daquela liberdade que deve ser completa, total, absoluta: a de pensar, falar, imaginar e escrever definitivamente tudo sem que nada impeça, nada proíba; nada censure, nada se interponha, nada reverta ou abale; nada torture ou aprisione. que tudo responda, mas que nada rasgue, queime, impossibilite, processe, violente, mude, refaça, esconda, ameace.&lt;br /&gt;e pensar isso e assim nesse país infeliz (não que haja países felizes) que carrega o fascismo como corpo e alma, como história e memória, como cotidiano e crença, é pedir demais.&lt;br /&gt;uma das loucuras aceitas como normalidade é o “delito de opinião”, que permite processar os que escrevem, como se isso fosse a maior conquista do mundo. em nome de todos os bons conceitos, das boas idéias, do reto caminho todos renunciam a liberdade, justificam a censura em todas as suas sutis formas, o corte, o processo, a perseguição, a imposição. outra é a “apologia ao crime”, como se defender qualquer forma de crime, de delito, de horror reproduzisse magicamente esse horror, como se fossem todos imbecis que não podem nem conseguem discernir nada. e quem “omite opinião” é processado, preso e perseguido, e isso não é visto como o maior dos horrores, uma brutalidade.&lt;br /&gt;nada, absolutamente nada do que é ou pode ou já foi escrito é mais abominável que as ações contra o escrito, o pensado, o desejado, o dito, o visto. tudo, absolutamente tudo, pode e deve ser dito, ser escrito, ser transformado em imagem, em som, em algo manipulável. nossa função é defender essa forma absoluta de liberdade e a sua também absoluta resposta e lutar contra o abominável que foi escrito, pensado, falado, filmado, mas jamais proibir. a luta se faz entre as escritas, entre falas sem proibir nenhuma delas e possibilitando a todas elas a igualdade de condições e de divulgação.&lt;br /&gt;defender, propagar, expor todas as formas de exploração como se fizesse o bem, os apartáides, todos os nazismos, todas as formas de terrorismo, a pedofilia, a proibição de livros e idéias, as chacinas, os massacres, as perseguições, as torturas, as humilhações, as intervenções, as desproteções, as dormências, os conformismos, os genocídios, as repressão, o terror, os racismos, as homofobias, os machismos: - são absolutamente detestáveis, ridículas e monstruosas, mas devem ter o direito de serem ditos. como ações e palavras não são iguais, devem ser combatidas enquanto idéias e enquanto ações por poderes e forças diferentes. palavras contra palavras, ações contra ações. não se pune um pedófilo por ser pedófilo em idéias, em propagar a pedofilia, mas por ser pedófilo, por praticar de alguma maneira a pedofilia: numa dimensão ele deve ser absolutamente livre, na outra a lei cuida dele, a “comunidade” põe sua existência em cheque. que suas idéias são monstruosas ou não, a decisão cabe ao leitor, ao ouvinte, ao telespectador, ao cidadão, não a lei ou ao estado. ou o monstro seremos nós os que destruímos suas palavras e seu direito inalienável de dizer. por eles serem monstros não serei também censurando por aquilo que me faz diferente deles e eticamente capaz de lutar contra eles. luto contra eles, e devemos lutar sempre contra eles, mas devemos também e com o mesmo ardor defender seu direito de dizer e o pleno direito dos “leitores” discernirem, escolherem, usando sua vida e sua consciência plenamente, sem que algo externo diga o que deve ouvir ou não ouvir, ler ou não ler, ver ou não ver, escolher ou não escolher: devo ser livre para escolher ou não o abominável, sem que ele seja retirado violentamente dos meus sentidos, do meu corpo, da minha consciência, da minha convivência como se fossemos “débeis mentais”, “escravos” ou “crianças”: eu devo escolher, eu posso escolher, eu luto para escolher, eu sou escolha. não pode ser a polícia, o exército, a tradição, o mercado, a mídia, os intelectuais, o partido, o bom gosto, o bom tom, a justiça, o estado, o síndico, o sacerdote, o prefeito, o censor, o professor, o pai: precisamos aprender a conviver com a diferença e com a liberdade que essa diferença exige. a tolerância absoluta é ao “escrito” (ficção de convicção), jamais ao intolerável que, se exercendo, destrói essa liberdade e outras que são essenciais.&lt;br /&gt;tudo dizer, tudo escrever, tudo ouvir, tudo ver, tudo escrever, tudo ouvir, tudo pensar tem como correlato a luta obsessiva contra as múltiplas barbáries que transformam tudo em mercadoria, em cinzas ou numa perversa violência sem fim. nada pode ser íntegro, intocável; nada deve sair ileso; nada é sagrado, nada é puro; nenhuma idéia, nenhum nome, nenhuma relação, nenhuma crença, nenhuma noção, nenhum deus, nenhuma gramática, nenhum costume, nenhum corpo, nenhuma cor, nenhuma memória, nenhum desejo, nada pode escapar ao ridículo, à crítica, ao escracho, ao escárnio, a dissolução, ao direito de ser exposto, comparado, diminuído, posto na sua devida estatura.&lt;br /&gt;o que não resiste, não se agüenta, o que chama a polícia, a justiça, os amigos, os capangas, o exército é porque não vale a pena. se valesse a pena responderia a altura, lutaria com as mesmas armas, sem impor sua evidência de poder sem contestação, sua evidência monstruosa. como clama os poderes se esvazia de valor, de verdade, comungando com tudo aquilo que impõe sombras, violência e mercadoria como horizonte único.&lt;br /&gt;a liberdade de expressão é o espírito vivo da palavra, do diálogo, da linguagem, da comunicação, da possibilidade viva de convivência e superação, mas não quer dizer aceitação, aprovação, chancela de tudo. é exatamente por viver a diferença que posso e devo aceitar plenamente a “apologia ao crime” e lutar veementemente contra o crime, que não foi criado nem se difunde pela “apologia”: punir a "apologia ao crime" é maior e mais danoso que qualquer crime: é o crime fundamental.&lt;br /&gt;a liberdade de expressão devolve ou recria na linguagem sua dimensão humana, seu poder poético, sua missão política e revigora ela enquanto aquilo que gera e mantém o próprio real. não é a toa que no brasil a palavra sempre teve donos, sempre foi vigiada, sempre fez parte de sistemas de permissão e proibição, sempre foi propriedade privada, sempre foi fazenda e fábrica, sempre se colou à moral, à imagem, aos bons costumes, à pessoa: sem a garantia da palavra, sem a palavra garantida e protegida, grande parte das crenças estúpidas e fascistas dos brasileiros se desmoraliza e sua situação de dependência aparece.&lt;br /&gt;entre os brasileiros a palavra deve, precisa inapelavelmente ser tutelada, protegida, abrigada, brindada; o indivíduo não pode estar só diante da tempestade do dizer: é preciso chamar o rei, a lei, todas as formas de poder para proteger ele da parrhesia dos trágicos cínicos, a liberdade de linguagem, a liberdade de falar francamente a sua verdade sem mediações permitidoras ou censoras. o dizer numa dimensão ética plena e, nessa dimensão, ser defendida não somente pelos indivíduos, mas pela própria polis enquanto condição democrática de sua existência.&lt;br /&gt;essa palavra tutelada dos brasileiros torna eles eternamente infantis, recorrendo sempre ao papai quando sua imagem é atingida, quando sua vida é exposta, quando sua moral é danificada: são incapazes de dizer de volta e na medida, incapazes de rejeitar a palavra sem o apoio do rei ou da lei: são castrados ao castrarem com a lei e com o rei. ao não enfrentarem as tempestades das palavras além de se tornarem fracos, fortalecem as tempestades viciadas, os nazismos e todas as formas monstruosas das palavras. ao buscarem a verdade com a força se enfraquecem e a verdade e o direito somem. todos são "senhores de engenho", intocáveis em sua imagem, sua moral e história: o senhor ainda está colado nas costas do brasileiro até quando ele pensa "defender os seus direitos".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110185603557678255?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110185603557678255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110185603557678255' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110185603557678255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110185603557678255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/11/liberdade-de-expresso-tenho-me.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110168584686320261</id><published>2004-11-28T20:47:00.000-03:00</published><updated>2005-01-02T13:01:29.016-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;FAMÍLIA&lt;/strong&gt; – por causa de um e-mails não somente remendando informações erradas sobre um “ramo da minha família” (&lt;a href="http://www.unir.br/~primeira/artigo140.html"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.unir.br/~primeira/artigo140.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;), os guimarães peixoto, coisa que muito prazer me deu, pois retirei de vez tanto o imbecil do bilac quanto a velhusca coralina que eram peso desnecessário, mas me censurando por tratar descortesmente a “família”, me fez pensar em como para os brasileiros essa coisa estúpida de família faz sentido na medida profunda da coisa e não somente como realidade suportável por falta de opção, por costume, por enfado. e a importância fundamental dessa coisa tribal, grupal, mítica, grosseira e gosmenta para as razões da vida dos brasileiros. não é a toa que grande parte das teorizações sobre o brasil levam em conta esse nazismo íntimo e circunscrito que reproduz e projeta grande parte dos horrores do “mundo social” e suas ideologias asquerosas, mas para elogiar, mostrar e demonstrar seu papel fundamental, seja enquanto “casa-grande”, seja enquanto “mocambo”, seja enquanto “casa” (a rua é a casa), “lar”. o brasil e os brasileiros são inesgotáveis em sua capacidade fascista de tentar explicar o horror, dourar sua eterna situação infantil, adolescente e sua universalização tanto do mundo do senhozinho quanto dos trouxas e das dondocas de classe média.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110168584686320261?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110168584686320261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110168584686320261' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110168584686320261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110168584686320261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/11/famlia-por-causa-de-um-e-mails-no.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110113762555742863</id><published>2004-11-22T13:32:00.000-03:00</published><updated>2005-01-02T13:03:17.153-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;ARTIGO: CONTRA A LINGUA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(&lt;a href="http://www.unir.br/~caldas/artigos/lingua.html"&gt;http://www.unir.br/~caldas/artigos/lingua.html&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;para se compreender como e porque escrevo de certa maneira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110113762555742863?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110113762555742863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110113762555742863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113762555742863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113762555742863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/11/artigo-contra-lingua-httpwww.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110088460419806790</id><published>2004-11-19T14:15:00.000-03:00</published><updated>2005-01-02T13:05:56.250-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;ARTIGO: CONTRA O BRASIL&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.unir.br/~caldas/contra.html"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;http://www.unir.br/~caldas/contra.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;a origem deste blog.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110088460419806790?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110088460419806790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110088460419806790' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110088460419806790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110088460419806790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/11/artigo-contra-o-brasil-httpwww.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110087895844121897</id><published>2004-11-19T13:41:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:46:14.956-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;MEMÓRIA&lt;/strong&gt; - tudo nesse país é feito para que nada seja esquecido: esse é o país da memória: o país da vontade de permanência do senhor: não esquecem as contas, não esquecem a pobreza, não esquecem a violência, não esquecem os governos, não esquecem deus, não esquecem as religiões, não esquecem a história, não esquecem nosso-hino, não esquecem a modéstia de todo mundo, não esquecem futebol, não esquecem a rede globo, não esquecem os “famosos”, não esquecem nada, não esquecem de lembrar. é sintomático dizerem sempre que “este é um país sem memória”.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;NOSSO-HINO&lt;/strong&gt; - nosso-hino novamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;CIDADES DO INTERIOR&lt;/strong&gt; - as “cidades do interior” só não são mais ridículas em tudo por que são pequenas: para entender a extensão desta idéia seria preciso transformar uma delas em “reserva ambiental” e estudar a vida, o comportamento desta fauna grotesca, desta flora carnívora, imóvel e perniciosa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;O ESCRITOR BRASILEIRO&lt;/strong&gt; - não conheço tipo mais asqueroso que o “escritor brasileiro” (pastiche destas vacas de presépio estrangeiras que vêm arrotar sandices em festivais, jantares e palestras). ouvir, por exemplo, nélida piñon, joão ubaldo, edla van steen, moacir scliar, ligia fagundes teles, carlos heitor cony, lia luft e todos os “jornalistas escritores”, é não compreender como se pode ser tão besta, tão empolado, tão mentiroso, tão integrado, tão digno da própria dignidade, tão “cafajeste”, tão ingênuo, tão funcionário público, tão trabalhador alienado, tão compatriota, tão vendido e, ao mesmo tempo, massa interesseira e vaidosa: nenhum deles desvenda, expõe, as trapaças da “Literatura brasileira”, muito menos o verde-amarelismo que move e faz eles aparecerem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110087895844121897?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110087895844121897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110087895844121897' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110087895844121897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110087895844121897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/11/memria-tudo-nesse-pas-feito-para-que.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110088697294709499</id><published>2004-11-18T14:54:00.000-03:00</published><updated>2005-01-02T09:04:25.636-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;SOBRE O QUERER PROCESSAR&lt;/strong&gt; - por que me causa horror o “querer processar” de quase todo mundo? não é porque fui, estou sendo ou porque serei processado por questões intelectuais, culturais: isso, independente do resultado, sempre me deu muito orgulho e prazer: o ser processado é um dos índices de diferenciação. e preciso saber melhor também o porquê do orgulho: as duas coisas, o horror e o orgulho estão unidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;quem pensa em processar, quem deseja o processo, quem processa é o centro do meu horror. é um tipo que aceita o estado, a lei, a ordem; que respeita deus, pai e mãe; faz parte da família, da igreja, do bairro, da cidade, do país, da gramática, do hino, da bandeira; tem um time de futebol, uma festa, um programa de televisão; gosta de corrida de carros, de ler jornais, de jogar; tem orgulho da “história do seu país”; é um tipo que jamais se sente absolutamente deslocado, desfiliado; é pai (mas não aceita: coloca a “culpa” na “esposa”, no “acaso” quando ele é que é quem buscou isso porque esse é seu programa secreto, que ele não consegue manipular), é marido, é cidadão, é trabalhador, é um “ser vivo”; é um tipo que é um “ser humano” e se orgulha disso; são emotivos, violentos com mulheres, com homossexuais, com negros: essa violência aparece no seu gosto por piadas; um tipo que recorre ao “coletivo”, ao “grupo”, ao poder ordenado das “massas”, do “povo”, do “direito”; é um tipo que acredita piamente que é brasileiro e que fala português, respeitando “quem fala certo”, rindo e estranhando de “quem fala errado”; um tipo que não tem autonomia intelectual: precisa de mentores, de gurus, de lideres, de chefes, de companheiros e de amigos; um tipo que não criou suas condições culturais porque “estuda”, se “esforça”, “aprende”; um tipo que acredita que é “macho” ou “fêmea” e se ressente muito, sofre feito um porco no matadouro, quando “é bicha” (coisa que procura esconder até de si mesmo); um tipo que acredita na natureza, nas energias, na matéria, na ciência e na magia; acredita no espírito imortal, em extraterrestres e mistérios; que não está acima dos clones: precisa dos clones para pôr a sua vontade em andamento, os seus “direitos” em exercício. não se resolve sozinho, não dá valor à sua independência, ao seu não, a sua violência, a sua vingança, ao seu desprezo, a sua liberdade; um tipo que não se tornou alguém: não tem face, não tem nome, não tem vergonha: sua vida é cheia de ilusões que jamais conseguirá perceber como ilusões exatamente porque essas ilusões, para ele, são a realidade, os processos da vida, as formas da existência: seu programa social protege ele de toda negatividade, de toda dissolução.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sua linguagem, suas palavras, seus gestos, suas imagens são as do “povo”, das “massas”, das “classes médias”, do senso-comum; funciona por elaborados clichês, o que lhe dá a impressão de pensar, de modificar a si mesmo, aos outros e ao mundo. para isso usa palavras, imagens, frases, idéias e conceitos deslocados, aprendidos não para “atingir”, para negar, para dissolver, mas para se apresentar, para parecer, para não ser diminuído, para parecer mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;faz parte do “lixo industrial” mas vivi e proclama o “lixo” com orgulho (será sempre um ressentido por ser “lixo industrial”, por viver nas periferias, nos subúrbios, nas fronteiras: não pode compreender jamais que não há “metrópoles” ou “colônias”, primeiros, segundos e terceiros mundos a não ser para os “lixos industriais”). cria seus filhotes conforme o “espírito social”, vetando ao infeliz qualquer possibilidade de se modificar, de não reproduzir o mesmo mundo medíocre do “papai” ou da “mamãe”, que vai batizar ele, que vai levar ele à “primeira comunhão” e a todos os passos religiosos mesmo dizendo que não acredita (não acreditar faz parte dos seus clichês, mas se borra todo da morte e reza escondido à “papai do céu” e à “santa virgem maria”). seguirá os mesmos passos das matrizes, seja “educado” nas mesmas escolas, respeitando os mestres, brincando de futebol ou com bonecas. acreditará sempre que sua vida foi feita para trabalhar e parir, para comer e se vestir, para acreditar em pátria, em deus e para consumir até estourar. acreditará sempre na justiça, no povo e que tem uma “alma imortal”. respeitará sempre o “senhor” em todas as suas formas reais e imaginárias. seu pensamento, suas ações, sua vida inteira é uma extensão perversa do “senhor”, em honra do “senhor”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tudo isso é o estofo vivo, vivíssimo, do “querer processar”: sem todas essas crenças ele não sentiria com tanta premência seus direitos sendo desrespeitados: sem as crenças anteriores ele não se poria “contra ninguém”: a lei é sua instância superior de negociação: quando ele se torna impotente, quando falha suas micro-negociações (aquelas advindas da escravidão e dos agregados, dos pobres e de todas as formas de “lixo industrial”) ele recorre à justiça: ele é um “cidadão que merece respeito”, que “respeita e por isso quer respeito”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;as razões da existência da lei, do estado, do povo, sua condição de cidadão (a mesma de servo, de escravo, de trabalhador, de abelha e formiga), ele até “acha bonito”, mas para ele é “teoria”. ele aceita se misturar, ser “igual”, parecer, fazer aparecer, sobreaparecer sua condição de igual, de cidadão: enquanto não exalta sua condição de igual a todos não descansa, enquanto não reequilibra o desequilíbrio provocado pela “injustiça” ele não descansa, não fica quieto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;quando esse tipo é somente cidadão é profundamente compreensível sua imbecilidade dócil (assim determinado “mundo do capital” tem se produzido e reproduzido pelo menos nesses dois últimos séculos). o problema se dá quando ele se torna “aluno de uma universidade”, quando vai estudar nos “cursos de ciências humanas”. a pressuposição é a de que seja alguém que já tenha tomado um curso “contra o mundo”, que deseje quebrar os programas sociais com sua consciência e sua atuação. mas o que temos numa maioria esmagadora é exatamente o contrário: são tipos que atravessaram seu tempo de universidade para lutar contra ela, contra as possibilidades críticas e filosóficas, para se reafirmarem repondo o que já sabem e o que sabem seus iguais. fará tudo sempre para confirmar “o mesmo”, aquilo que ele já sabe, que todos sabem, que ele acredita, que todos acreditam. mas com uma diferença: a estupidez será acrescida por novas palavras, novas imagens, novos conceitos (todos esvaziados, todos sem profundidade, todos purificados e reencaminhados para o comum dos sensos, para a respeitabilidade). e o jegue, com um “título acadêmico”, ganhará um sobrerespeito (todos a sua volta respeitam ele), um lugar de destaque entre os demais jegues: dele provém a “confirmação científica”, “acadêmica”, “filosófica”, de toda tolice, de todo mistério, de todo segredo, de todas as microcrenças: ele acreditando em quase tudo confirma, reafirma num “patamar superior” (linguagem unidimensional) todas as sandices comunitárias, todas as covardias e todos os aleijões. por isso não consegue realmente se pôr em diálogo e nem se expor: ele só consegue se ouvir, mas diz que é o outro que não consegue ouvir ele: como o outro estando em processo de diálogo está levando ele para onde ele não se sente seguro, sua reação pode ser violenta ou se calar com profundo ressentimento do outro (ele jamais é culpado de nada, ou totalmente culpado de tudo: ou é adão antes da queda, ou é adão depois da queda: seu mundo é “ou-ou”). nunca estudou profundamente nada: fala por opinião, por achar que é assim, por uma orelha de livro, um artigo de jornal, uma conversa: jamais se aventurou no conhecimento, no desvendamento tenso de algo: é sempre um pinto no galinheiro se fazendo de galo: mas como nesse imenso galinheiro só tem pinto, nenhum galo lhe dará um belo sopapo, e quando encontra um galo ou a pata de um elefante pela frente, todos são contra o elefante e contra o galo, nunca contra o orgulho besta e vazio do pinto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sua atuação será uma traição às possibilidades que possui, mas não põe em questão, não se dispõe a expor, a se indispor: não consegue ser fraco: precisa do estado, da polícia, do exército para reequilibrar sua imediata saída do conforto entre os iguais. e a possibilidade de se transformar num intelectual, num revolucionário, se tornando alguém, desaparece, é desperdiçada. sua vida será uma constante resistência aos intelectuais, aos que resistem, aos revolucionários, a toda mudança significativa. sua atuação, mesmo parecendo a de um “intelectual orgânico”, será anti-intelectual (ele e os iguais a ele sempre desconfiaram da teoria em seu sentido pleno de práxis e de poiesis: não podem mais ultrapassar o senso-comum e a vida intelectualmente vegetativa).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a posição política de “quem processa” também é um dado a mais na questão. mesmo sendo algo difundido pelos “labirintos sociais” (todas as estúpidas classes fazem parte da mesma mentalidade, do mesmo imaginário esvaziador e integrado), há tipos em suas determinadas posições de classe que estão mais “propensos a processar”: os “servidores” (“classes médias”) e as extensões imaginárias dos servidores. sua luta se faz sempre com o estado, acreditando no estado, tendo ao seu lado o estado e, ao estar contra, ele luta para que o estado “volte a estar ao seu lado”: o estado é sua família. sem o formigueiro ele definha, sem as crenças do formigueiro ele fica completamente perdido. sua posição política é sempre de reação, sempre fascista, sempre de retomada da ordem, da produção, da família e de tudo que recoloca a “sociedade de consumo” nos seus trilhos: seu lugar é o de defesa: só ataca para fazer voltar uma situação anterior: o processador é um inconformado com o irreversível da mudança, o radical do tempo. ele já foi “servo”, já foi “escravo”, já foi “povo”, já foi “massa”, hoje é cardume; já foi “feirante”, “comerciante”, “traficante”, “burguês”, “migrante” e “retirante”, hoje é cidadão; já foi “advogado”, “professor”, “funcionário público”, hoje é “classe média”; já foi o que matou o revolucionário, quem torturou os presos, quem dedou, delatou, indicou; já foi monarquista, republicano, liberal, fascista, da arena e do mdb, hoje é indiferente ou do “partido dos trabalhadores”: não foi jamais don quixote ou sancho pança: foi bentinho e capitu, helena e dona plácida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;esse tipo, que fizemos se desdobrar parcialmente aqui, é o homo juridicus, o “imbecil coletivo”, o homo obvius, o integrado, o violento elemento clonizado do fascismo atual. é o oposto tanto do antigo revolucionário e do intelectual quanto do terrorista e do querrilheiro. ele é a corporificação não somente dos imaginários do senso comum como a expressão animalizada do estado, do capital e da “sociedade” como um formigueiro “montado” para produzir e se reproduzir, mas aparece sempre com uma face, um nome, uma história: todos falsos. o homo juridicus é a confiança no estado, nas leis, na nação (são sempre subfilhotes de hitler, de mussolini e do pequeno e ridículo ditador vargas): ele “busca seus direitos” em todas as manifestações sociais: sua função é confirmar. isso é um dos complementos fundamentais da “sociedade de consumo”. sem o homo juridicus não pode existir o homo econômicos, o homo politicus, o homo fascistas e o homo estupidus (da sub-espécie babacas babacas). ele não sabe separar o eu-quero (a necessidade instaurada como natureza, não enquanto dimensão própria do capital), do eu-tenho-direito (esfera de defesa econômica, política e de classe): ao se “defender” auxilia e protege o “sistema”, consolida o senso-comum.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o processador não é um “fraco”, um “oprimido”, mas um negociador frustrado: sua vontade de escravo, de agregado, de funcionário público, de consumidor não foi satisfeita. o que ele busca é o equilíbrio, a ordem: as condições do estado e da produção: por isso ele fica tão convulsionado, tão indignado, tão melindrado, tão assanhado, tão revoltado e “doente”: ele só é, só se torna, só pretende, só alcança a existência, o sentido, a forma, o desejo e a alegria através do respeito, da imitação dessas “instâncias superiores”: ele é um filhote do capital, da “sociedade civil”, do estado e da “sociedade de consumo” (que não pode existir plenamente sem todos os direitos, contratos e funções): atingido, contestado, dissolvido, ameaçado seu mundo (pessoal e coletivo: economia e política) precisa voltar ao normal, retornar ao “ser natural”, à toca protetora do estado (quem protege ele quando ameaçado: o servo - agora cidadão - ainda acredita nos sacerdotes como intermediadores de um deus qualquer; nos guerreiros - milicos, policiais e o judiciário - como protetores da comunidade; e dos trabalhadores como aqueles que pagam com seu trabalho pela proteção e pela intermediação). pessoalmente ele não faz nada: sem a lei, sem o estado, sem o patrão, sem o senhor e suas sombras protetoras, ele não reinvidica, não diz não, não contradiz, não critica ou dissolve. o homo juridicus é o indivíduo apascentado, cozido dentro do homo economicus: ele não escreve sua própria história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;meu orgulho, uma das questões deste texto, advém de eu não querer, não fazer parte, não ser nada disso, estar sempre muito longe de tudo, contra tudo e por nada: e haver lutado sempre contra tudo isso e muito mais: o ser processado é para mim um dos índices dessa diferença, da vitória da diferença, a confirmação: e eu habito plenamente o não, a ausência, o não ser, a revolta, o não-lugar: estar ou fazer parte faz parte da luta, do ser contra, jamais uma integração não-dita ou inconsciente, jamais um compartilhar, um se integrar; o horror está em viver e conviver com esse universo castrador, centrífugo, unidimensional, cristão, homofóbico, racista, nazista, medíocre e verde-amarelo: por mais que faça, que lute, que desdiga, tudo permanece ao meu redor, querendo me sufocar, penetrar como um estuprador ensandecido deseja sua vítima, querendo que eu seja assim também, que comungue, que partilhe, que aceite, que confirme que faço parte, que proclame que necessariamente faço parte, que não posso não fazer parte, que feche os olhos, que respeite, que me torne igual e que processe os que atinjam minha “pobre alma desarmada”. e o horror e o orgulho não se separam, não desaparecem. eu adoro ser processado e, quem sabe, torturado ou assassinado. seria a glória! mas eu não mereço tanto!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110088697294709499?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110088697294709499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110088697294709499' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110088697294709499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110088697294709499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/11/sobre-o-querer-processar-por-que-me.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110088628072515357</id><published>2004-11-15T14:37:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:47:21.213-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;EXÉRCITO&lt;/strong&gt; - o "exército brasileiro" continua da mesma maneira, perigoso como sempre, periculoso e violento, insidioso e reacionário. nessa última crise (caso herzog, ministro da defesa, etc) tudo isso apareceu com nova claridade, ou fez rememorar. é uma ameaça contante, uma espada sobre a cabeça, sempre uma possibilidade, um horizonte de dissolução das liberdades individuais democráticas e das poucas conquistas sociais. pensam todos que esse perigo se educou, que aprendeu seu lugar numa sociedade democrática, mas isso é um engano sem medida. o "exército brasileiro" é o mesmo de sempre.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110088628072515357?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110088628072515357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110088628072515357' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110088628072515357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110088628072515357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/11/exrcito-o-exrcito-brasileiro-continua.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110088555703185638</id><published>2004-08-29T13:26:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:47:43.690-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;CLASSES&lt;/strong&gt; - as "classes exploradas" criaram uma "cultura" impotente, ridícula, festeira, própria do "lixo industrial" de quem não resiste porque não sabe ao que resister; as "classes exploradoras" criaram uma "cultura" capacho (aos modelos europeus e estadunidenses e, principalmente, às oligarquias internas), frouxa, gosmenta, palavrosa, incapaz de superar sua im-posição de classe, sua visceral cumplicidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110088555703185638?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110088555703185638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110088555703185638' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110088555703185638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110088555703185638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/classes-as-classes-exploradas-criaram.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' 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várias formas de exploração e descarte, gerando monstros, procriando ilusões modestas, cópias ridículas, limites inexistentes, raças que, além de jamais existirem, foram, enquanto "culturas", jogadas no descaroçador monstruoso das produções e suas defesas: o resto é pretensão besta, vazia e sem propósito. a unidade "brasil" e "brasileiro" só pode ser dita para se entender o quanto não é e jamais foi uma unidade, e que tudo que parte da pressuposição dela serve àquilo que se serve famintamente dessa ideologia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110113632674070050?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110113632674070050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110113632674070050' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113632674070050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113632674070050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/estudar-o-brasil-essa-tara-em-estudar.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110113535934549804</id><published>2004-08-27T11:42:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:48:33.623-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;POVO BRASILEIRO&lt;/strong&gt; - o "povo brasileiro" é lixo europeu, lixo do escravismo, lixo industrial, lixo mercantil; lixo de todos os "modos de produção", de todas as relações perversas; lixo de todos os governos, de todas as ditaduras, de todos os "sistemas políticos", de todas as políticas e economias; lixo da covardia, do capachismo, da acomodação, das negociações de sobrevivência; lixos do silêncio e do silenciamento; lixo das mídias, lixo dos racismos, lixo de todas as doenças e relações monstruosas com as mais variadas formas de torturadores, senhores e patrões. é um povo que "cria cultura" como resultados de todos esses lixos: por isso serve perfeitamente para turistas, autoridades, mídias e pesquisadores. é uma "cultura" alegre, festeira, carnavalesca, religiosa, musical e risonha que teatraliza seus capachismos e negociações, suas curvaturas de espinha e suas admirações teratológicas como se fossem belas e não índices de uma loucura nazista escondida e perigosa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110113535934549804?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110113535934549804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' 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src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110113453911505608</id><published>2004-08-27T11:28:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:51:31.133-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;MÁQUINAS DE TORTURA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; - quase todas as "coisas públicas" são máquinas de tortura, instrumentos de humilhação: também escadas, ónibus, calçadas, ruas, viadutos, praias, chopincenteres, gramáticas, ortografias, livros, comícios, escolas: principalmente se você é "possuidor" de uma "deficiência" (nada mais cruel que a língua, outra máquina monstruosa de tortura), se é negro, se é velho, se é homossexual, se é pobre, se é estrangeiro de "culturas inferiores" (os imbecis e os conceitos monstruosos são mais imaginativos e persistente do que qualquer razão). este país chamado brasil é uma monstruosa máquina de tortura em todas os detalhes, basta olhar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110113453911505608?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110113453911505608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110113453911505608' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113453911505608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113453911505608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/mquinas-de-tortura-quase-todas-as.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110113358224837111</id><published>2004-08-27T11:22:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:56:37.480-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;ESTADUSZUNIDOS&lt;/strong&gt; - outro país ridículo (e perverso, e estúpido, e bosta de marinheiro) é os estaduszunidos (que os babacas chamam de AMÉRICA): esse consegue bater todos os limites: é o império absoluto da classe média com todos os seus vícios, deformações, racismos, violências levados as últimas instâncias. mais é impossível. como admirar, imitar, se curvar até a penetração a uma coisa dessas, a um povo sádico, estúpido, ignorante, fanático; a uma cultura de cachorro quente, a uma língua de traficantes, de mercadores e punheteiros, que gerou apesar dela uns poucos poetas e prosadores que valem a pena, principalmente traduzidos, isto é, libertados da camisa de forças da sua linguinha. somente um povo de escravos eternos, os brasileiros, para aceitar um tal senhor, uma coisinha dessas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110113358224837111?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110113358224837111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110113358224837111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113358224837111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113358224837111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/estaduszunidos-outro-pas-ridculo-e.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110113329950294239</id><published>2004-08-27T11:16:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:57:06.773-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;VOTAR&lt;/strong&gt; - um dia desses duas professoras de universidade entre um mediador também professor de universidade, num programa de televisão "culto e inteligente", defenderam a "obrigação de votar" porque o "povo brasileiro" ainda não sabe votar e isso serviria como "educação cívica". como vomitei muito depois, e tive muitas dores de cabeça e tonturas não vou comentar nada. estou levantando agora mesmo para tomar alguns comprimidos. com licença. recordar é sofrer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110113329950294239?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110113329950294239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110113329950294239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113329950294239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113329950294239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/votar-um-dia-desses-duas-professoras.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110113268017091681</id><published>2004-08-27T11:02:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:57:57.776-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;OBRIGADO A VOTAR&lt;/strong&gt; - ser obrigado a votar (não é votar), obrigado a opinar (não é opinar), a fazer parte (é não fazer parte), obrigado a escolher (não é escolher), obrigado a compartilhar (não é compartilhar), obrigado a ir a uma urna (tumba da liberdade), obrigado a todo um conjunto ridículo e torturante do espetaculo dessa "democracia" ridícula, é não saber o que é democracia nem o que é viver em uma. todas as obrigações (votar, alistamento, alfabetização, fumo, prostitruição) são sintomas explícitos de uma semi-ditadura (são a maneira inventada pelos brasileiros para exercerem uma ditadura sem parecer: todos os ditadores entre vocês são "presidentes da república"), de um fascismo de imaginário e comportamento, de pressão dos poderes contra as mais elementares liberdades tão arduamente e com tanta ingenuidade e sangue conquistadas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110113268017091681?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110113268017091681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110113268017091681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113268017091681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113268017091681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/obrigado-votar-ser-obrigado-votar-no.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110113185989215669</id><published>2004-08-27T10:49:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:58:24.066-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;ATLETAS&lt;/strong&gt; - esses "atletas brasileiros" realmente representam a ideologia verde-amarelista: estão sempre enrolados com a "bandeira nacional", chorando com o nosso-hino e "representando o brasil". e, normalmente, perdem o nome: "o brasil jogou hoje": "o brasil compete contra ...": é a nação que funciona: é um dos fascismos mais estranhos do mundo: não tem vergonha de alardear seus emblemas, suas imagens-chavões, seus sentimentos ridículos, suas cores capachos, suas pobrezas, incompetências, mulambos e desnutrições como se fossem o paraíso, a beleza, a verdade, o único. ou melhor, todas as ditaduras não esquecem de expor seus "símbolos nacionais" até a náusea.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110113185989215669?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110113185989215669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110113185989215669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113185989215669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110113185989215669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/atletas-esses-atletas-brasileiros.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110087881340491041</id><published>2004-08-25T11:39:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:58:54.543-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;ELEIÇÃO&lt;/strong&gt; - a cada eleição fica mais patente o quanto há de pouca democracia e o quanto há de aproveitadores, ratos, sabidos e de infinidade de pequenos imbecis que se jogam numa das coisas mais ridículas do mundo. não há uma idéia, uma imagem, uma proposta que não chegue viciada: é um carnaval de horrores.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;FELICIDADE&lt;/strong&gt; - uma das infelicidades deste país é não ter nenhum “momento feliz” no “seu passado” para se ter saudade; não há nenhum “lugar paradisíaco” para se refugiar: todos os seus “mitos de fundação” são tão cômicos, tão descabidos, tão inúteis, tão descarados que aqui se tornou o lugar perfeito, depois de ter servido ao “espírito da escravidão”, ao “espírito do capitalismo”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;PALAVRAS&lt;/strong&gt; - um país de miseráveis e de palavras: palavras demais: mas aqui há algo além de palavras?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;NOSSO-HINO&lt;/strong&gt; - é exaustiva a quantidade de vezes por dia que se ouve o nosso-hino: é uma perseguição auditiva: essa musiquinha de terceira categoria é uma das obsessões dos nacionalistas de carteirinha, dos ingênuos, dos militares, das esquerdas patriotas e de todo aquele para quem esse mundo de fantasia fascista (fantasia que contribui fundamentalmente para garantir a produção, o consumo e a reprodução geral danação) existe como verdade-realidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;PERIGO&lt;/strong&gt; - propaganda do exército: “você pode não ver: mas estamos sempre presentes”. essa é mais que uma verdade persistente, de uma obsessão da ordem fascista e invisível: é um componente essencial daquilo que chamam brasil: o espectro persistente de uma ordem invisível “tomando conta”, ao lado, dentro, antes e, acima de tudo, em tudo. não deixa de ser uma pretensão ridícula, mas ridícula não são suas conseqüências. esse fantasma verde-amarelo escondido é uma ameaça constante. todos os aspectos do nacionalismo são uma ameaça à própria democracia que todos eles dizem defender, de toda justiça que todos eles dizem representar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;DEUS&lt;/strong&gt; - toda desgraça, toda miséria, todo acidente, toda injustiça é usado para elogiar deus, para ressaltar as “forças armadas”, as “forças de segurança” e a “pátria”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;NOSSO-HINO&lt;/strong&gt; - e o nosso-hino não cessa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;FIESP&lt;/strong&gt; - emocionante: a oposição da fiesp ganhou a eleição. isso, além de profundamente emocionante, abre o verdadeiro sentido do que é, para os brasileiros, a oposição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;NOSSO-HINO&lt;/strong&gt; - nosso-hino novamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110087881340491041?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110087881340491041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110087881340491041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110087881340491041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110087881340491041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/eleio-cada-eleio-fica-mais-patente-o.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110087842823096243</id><published>2004-08-25T11:32:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T08:59:43.493-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;MENDIGOS&lt;/strong&gt; - a morte de mendigos é apenas um episódio de uma rede monstruosa de mortes de sindicalistas, de sem-terra, de trabalhadores, de mulheres, de homossexuais, de negros, de indígenas; do espancamento e da humilhação de todas as “minorias” e da maioria pobre que não se cansa de lamber as botas de todos os sinhozinhos dessa grande estribaria. mas são esses mesmos pobres, essas mesmas “minorias” que se entrematam, se entretorturam, se entredilaceram, se entredifamam: a burguesia industrial, financeira ou os grandes latifundiários praticamente não participam disso, estão muito longe da sujeira, aproveitando fartamente a mais-valia entregue com tanto gosto, burrice e covardia&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110087842823096243?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110087842823096243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110087842823096243' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110087842823096243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110087842823096243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/mendigos-morte-de-mendigos-apenas-um.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_Wjx317PX0gk/TRTF1T0X2lI/AAAAAAAAAI8/qO9a2QkMVxA/S220/alberto%2Bagora.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9237490.post-110087818094334119</id><published>2004-08-24T11:23:00.000-03:00</published><updated>2004-12-03T09:00:13.073-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;VARGAS&lt;/strong&gt; - comemoram hoje o suicídio daquele imbecil, daquela coisa estúpida, minúscula, asquerosa e gorda que chamam de vargas. só mesmo uma mídia vendida, babaca e superficial; um povo burlesco (que, aproveitando a palavra, se burla e burla para sobreviver: por isso grotesco); políticos venais; historiadores, sociólogos e antropólogos, politicólogos sem caráter e sem profundidade, lacaios de todos os minúsculos poderes; só mesmo numa coisinha como este brasil para comemorar, para recordar, para “sentir saudade”, para elogiar um ditadorzinho anódino de uma republiqueta sem vergonha. mas é comum por essas paragens verde-amarelas a louvação dos jegues (vivem para louvar e salvaguardar os jegues): todos os ditadores são lembrados como “presidentes da república”, “pai dos pobres”, “político de respeito”: é odioso!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;OLIMPIADAS&lt;/strong&gt; - não param de falar nas olimpíadas: não aceito que não sintam a patetice de tudo isso: por mais de um ano, todos os dias, todas as mídias, falando nesta coisa sem propósito (para vender, com certeza, os produtos do mundo!) e agora os “heróis da pátria”, merdas flutuantes (favelados, suburbanos e pobres de todos os terreiros) da republiqueta (pela pobreza, pela ideologia, pelo medo e pela honra) depois de fazerem todas as cacas possíveis, dão desculpas esfarrapadas (lumpen) que poderia ser a base de alguma piedade, se piedade alguma coisa desse território merecesse piedade: e ainda por cima não são culpados de nada: os que são levam, por um lado, grande parte dos louros e das louras, enquanto os pobres infelizes voltam e se atiram, na miséria que lhes cabe um cauntri deste: ficam velhos, pobres, desdentados, arruinados e ainda são levados em programas de auditório para “servir de exemplo para a juventude” (não sei se notam o horror de tudo isso ou fazem esses festivais de perversidade por inocência pura e elevada).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;PÁTRIA&lt;/strong&gt; - nunca ouvi tanto as palavras brasil, brasileiro, pátria, hino nacional, nacional (e não é por causa das olim-piadas): para esse país infeliz ser considerado fascista basta me processarem por este diário (o fascismo é sempre protegido pelas leis) e mais um ditadorzinho vestido de presidente (um que demore mais do que quatro ou oito anos: o que fizeram foi transformar o “mesmo ditador” em vários presidentes, e uma ditadura em governos) que proponha a obrigatoriedade do nosso-hino nas escolas ou alguma outra idéia brilhante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;LIBERDADE&lt;/strong&gt; - entregamos sem nenhuma reação todos os aspectos da nossa liberdade (que é feita de minúsculos fragmentos, de frágeis dobradiças, de memórias sutis) em nome de qualquer coisa. para melhorar “a questão da violência”, as câmaras em todas as ruas, em todos os lugares públicos; nas greves, para garantir “a população e a coisa pública”, soldados na rua; para “combater o crime”, assassinatos, torturas, violência, medo, mentiras e impunidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;VIOLÊNCIA&lt;/strong&gt; - este é um país não somente mentiroso, mas de má-fé: falam o tempo inteiro em violência (a “principal preocupação dos brasileiros”), como se essa violência propalada fosse a causa de alguma coisa (a causa material, a causa eficiente, a causa final, a causa formal: ou, menos aristotelicamente, a causa suficiente de alguma coisa). a violência é o feixe final, não da “atuação de traficantes”, mas da exploração em todas as instâncias, da brutal extração da mais-valia, da coisificação em todas as relações, da mercantilização de tudo: e da necessidade de tudo isso para o “sistema funcionar”: sem todas as “causas suficientes” não há capitalismo; sem todas as violências não há o que todos querem, o que todos se venderam e se vendem com os dentes expostos, para querer e possuir. a violência é um dos sintomas principais de que tudo segue a normalidade produtiva, a normalidade de consumo, a normalidade institucional e as normalidades imaginárias que fazem do brasileiro, o brasileiro. e se não fosse assim porque os milhões de famintos, violentados, desempregados, os sem-nada, não descem dos morros, são saem das periferias, não tomam para si o que saem do seu suor: porque são cúmplices: fazem parte como gado da violência necessária para que o sistema funcione, aquele mesmo que ele defende, procria e difunde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Alberto Lins Caldas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9237490-110087818094334119?l=contra0brasil.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://contra0brasil.blogspot.com/feeds/110087818094334119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9237490&amp;postID=110087818094334119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110087818094334119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9237490/posts/default/110087818094334119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://contra0brasil.blogspot.com/2004/08/vargas-comemoram-hoje-o-suicdio.html' title=''/><author><name>alberto lins caldas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08441922955258124744</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image 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